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REVISTA

O PAR PERFEITO

 
Queijos e Vinhos, o par perfeito... só que não, lamento informar! 
 
A dupla, celebrada por muitos, é responsável por uma das mais complicadas harmonizações que existem. Um tiro cego para  leigos e um verdadeiro desafio para Sommeliers experientes. No fundo, esta combinação não passa de um pequeno mito do sofisticado universo da uva.
 
A razão é simples: a grande maioria dos queijos, normalmente gordurosos e ácidos, se faz tão presente no palato que domina a boca por completo. A maioria dos vinhos, mesmo os mais fortes, enfrenta muitos desafios neste ambiente, sofrendo inevitável prejuízo de sabores.  
 
Qualquer Sommelier honesto reconhece esta dificuldade. Aliás, isso explica até mesmo a insistência do tema em alguns coquetéis ditos “boca livre”, em que o queijo, propositadamente, disfarça a dureza de um vinho de menor qualidade, justamente aquele que será servido a noite inteira... mas isso é matéria para outro debate. Estamos aqui para falar de cerveja !!
 
Se vinhos e queijos não se dão muito bem, o mesmo não se pode falar das cervejas. Essas, sim, são verdadeiras parceiras! A imensa quantidade de estilos diferentes de cerveja proporciona uma variedade incrível de harmonizações, contemplando todos os tipos de queijos.
 
Queijos com acidez acentuada se equilibram naturalmente com o amargor de cervejas lupuladas. Aromas de frutos secos se completam com o dulçor de maltes abiscoitados e até mesmo com o açúcar residual de cervejas mais encorpadas. De quebra, a cerveja ainda fornece um importante diferencial na harmonização: a sua carbonatação, que simplesmente limpa suas papilas gustativas e renova o palato para o próximo pedaço de queijo... genial !! As possibilidades são tão infinitas e perfeitas, que muitas das vezes a cerveja se faz passar como um próprio ingrediente do queijo, e vice-versa.
Quer fazer bonito no seu próximo petit comitê? Vá de Cervejas e Queijos, sem medo de ser feliz !! #Cheers
 
Dica do sommelier
 
Ola Dubh Special Reserve 18, da cervejaria escocesa Harviestoun em parceria com a destilaria Highland Park. Cerveja negra, maturada em barris de carvalho utilizados para envelhecer whisky 18 anos. De corpo aveludado, tem aroma complexo e intenso, com notas de baunilha, café e chocolate amargo. O dulçor inicial do malte é apenas a introdução de um final alcoólico, licoroso e com uma leve sugestão de whisky – Estilo Old Ale, 8% ABV, R$ 50 / 330 ml. Harmonização: Carne vermelha grelhada; queijo Brie, Gouda, Roquefort ou Gorgonzola; sobremesas à base de chocolate amargo ou meio amargo ou sorvete de creme; charuto.
 
Tupiniquim Saison de Caju, da gaúcha Tupiniquim, eleita a cervejaria do ano no Festival Brasileiro de Cerveja 2015. Maturada com adição de Caju e Manga, de coloração amarela, aroma intenso de frutas cítricas e especiarias e um sabor que equilibra dulçor, acidez e um leve toque de lúpulo e cereais – Estilo Saison, 6,8% ABV, R$ 19 / 310 ml. Harmonização: Frutos do Mar, embutidos e Carne Vermelha.
 

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