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O Japão tem de tudo, até as Olimpíadas!

Texto: Carolina Menezes

Fotos: Divulgação

Previstas inicialmente para ocorrer entre julho e agosto deste ano, as Olimpíadas – agora 2021 – foram adiadas para o próximo ano, em razão da pandemia do novo Coronavírus, que colocou o planeta de ponta cabeça. Depois de quase 60 anos, Tóquio, a high-tech capital japonesa das luzes, volta a sediar os Jogos Olímpicos de Verão, marcados para ocorrer entre julho e agosto do ano que vem.

 

Quem já teve a oportunidade de passar alguns dias, ou mesmo morar na terra do sol nascente, alerta que, por se tratar de uma cultura – geográfica, imaterial, culinária, paisagística, entre tantos outros inúmeros atributos – insanamente rica, é preciso cuidado e alguma organização no sentido de otimizar, ao máximo, o período de estadia. Ao mesmo tempo, é altamente recomendável dar uma desligadinha de vez em quando e deixar o próprio visual das cidades guiar o passeio, com ajuda do GPS do celular, claro, de modo a garantir alguns momentos extraordinários, daqueles que nenhum cronograma turístico pode programar. A LiV* ouviu histórias de três visitantes recentes do país, que por lá estiveram pelos mais diferentes motivos. Dentre diversos relatos que enchem os olhos só de ouvir, em comum, elas oferecem um ponto digno de empolgar qualquer turista: zero experiências negativas durante a jornada e um enorme desejo de terem passado mais tempo explorando uma terra de possibilidades infinitas Para estudar melhor o idioma que leciona há quatro anos, a estudante de Estatística da Universidade Federal do Pará (UFPA) Ayumi Daomi, 21, passou um ano morando em Higashikurume, bem próximo ao distrito comercial Ikebukuro, ambas em Tóquio, entre 2018 e 2019. Por se tratar de um intercâmbio, ela não precisou se preocupar com o trâmite documental, que ficou por conta da faculdade onde estudou. E confirma que o único arrependimento, se é que assim se pode chamar, que trouxe consigo na bagagem foi não poder ficar mais tempo. “É sensacional, incrível. Todo lugar que se vai, independente do horário, é movimentado, povoado, com acessibilidade muito boa ainda que só falando inglês”, recorda ela, que nasceu no Japão e chegou a morar alguns anos no país com os pais, até a mudança definitiva para Belém.

Na experiência de 23 dias que teve por lá durante o outono de 2017, o visual designer Marcello Sarmento optou pelo apoio de uma assessoria especializada oferecida por um brasileiro que mora no país (a gente dá as dicas no final da matéria) - e a possibilidade de passar algum perrengue por não dominar o idioma principal foi decisiva nesse momento. “[a assessoria] Me ajudou desde a criação do melhor roteiro, em acordo com o orçamento que tinha disponível, tanto em situações do dia a dia - inclusive me salvando de uma roubada em que gastaria o triplo em um ingresso para um evento por não saber naquela época como converter a moeda, e nem ter uma real noção de custos”, relata ele, que admite falar pouco japonês.

Se já houver alguma intimidade com o lugar, o indicado é mesmo se deixar levar pela experiência nova e única que cada esquina proporciona. “Talvez essas experiências, com assessoria, não sejam possíveis de vivenciar, de fato”, indica a estudante Yuki Kawai, 21, que cresceu no Japão e é fluente no idioma. Conhecendo bem ou não, as sinalizações que estão em todos os locais e a internet são dois aliados indispensáveis, independente do destino.

Planejar ou ‘só vamo!’?

O Japão é mesmo um país que faz questão de receber bem os seus visitantes, em especial, os ocidentais. Tendo um bom inglês, é possível desfrutar de vários tipos de programação, seja no centro de Tóquio ou distritos próximos, seja mais para o interior. Mas é preciso dispor de uma quantia razoável. “Por exemplo, se você fez as contas e chegou à conclusão de que precisa de ‘x’ para a viagem completa, leve ‘2x’. Hospedagem e transporte lá não são baratos, não dá para depender 100% do cartão de crédito, porque não é todo lugar que aceita, e parcelamento não é uma prática. Também por isso, fazer amizades durante a viagem é fundamental!”, aconselha Ayumi.

Na hora de escolher entre esses dois extremos, é sempre bom levar em consideração o próprio perfil do viajante. “Se é alguém que já possui experiência em planejar suas próprias viagens, não vai encontrar muita dificuldade em traçar um roteiro, escolher atrações e locais para visitar”, sugere Marcello, sempre lembrando que a dificuldade com o idioma pode não ajudar muito nesse processo.

Yuki é assertiva: não havendo segurança, vá de assessoria especializada. Se isso não for um problema, é pesquisar bastante sobre o Japão, ver relatos na internet, e só ir. “Não é nenhum bicho de sete cabeças, tudo é sinalizado em inglês e ainda há aplicativos (apps), também em inglês, que ajudam a andar por lá”, confirma.

Muito além do sushi e do sashimi!

A intensa imigração acabou fazendo do Japão um lugar incrível para se comer de tudo. Além da culinária tradicional, tem muita força na mesa a influência indiana e tailandesa. “Há muitos restaurantes excelentes e deliciosos”, adianta Ayumi. Por outro lado, pode não ser a melhor experiência buscar algo voltado aos costumes europeus. Ela, pessoalmente, é fã dos restaurantes brasileiros que há por lá. “A picanha que você come lá é impecável!”, garante. No quesito bebidas alcoólicas, um paladar autenticamente canarinho deve estranhar a ausência de açúcar e o fato de as bebidas serem mais secas.

A boa notícia para quem tem alguma dificuldade com comida é que são tantas as opções que fica difícil não comer bem. Seja em um konbini (lojas de conveniência), restaurantes ou mesmo em lanchonetes fast-food, como a rede local chamada Moz Burger. Com a ajuda da assessoria, Marcello experimentou ramen (ou lámen) pela primeira vez na vida. “O melhor que comi e jamais pagaria tão barato em um prato de um restaurante premiado com a estrela Michelin”, lembra.

Para quem quer mesmo conhecer a prata da casa, ele indica um passeio na região do mercado de peixes de Tsukiji para a certeza de encontrar vários restaurantes com uma variedade de pratos, peixes e frutos do mar a preços que variam de bem acessíveis aos mais caros, em ambientes mais famosos e refinados.

Conhecer e praticar a cultura é pré-requisito

A educação dos moradores e trabalhadores surpreende. Não se assuste se, na estação de metrô, ao perguntar sobre direções, um guarda oferecer para lhe levar até o local de destino, à pé mesmo. Muito menos com a liberdade que os vendedores dão em lojas para o passeio à vontade, sem qualquer importunação ou ficar perguntando se você deseja algo. No entanto, eles não abrem mão de que todos, turistas inclusive, repitam os rituais considerados essenciais do dia a dia. “Não é só visitar e comer; tem que fazer o cumprimento certo nos templos, assim como também falar os cumprimentos na hora do início e do fim da refeição, ao entrar ou sair de um lugar. Se você for encontrar com um amigo no Japão, você tem que levar uma lembrança a ele, tudo isso é a prática da cultura deles e é imprescindível saber sobre isso para a viagem”, orienta Ayumi.

 

O dia a dia é uma caixinha de surpresas

Marcello Sarmento confessa não se lembrar de qualquer experiência desagradável durante a estadia - mesmo tendo sido recepcionado por uma chuva daquelas que só paraense leva consigo na mochila quando viaja. Porém, nada que sapatos impermeáveis não resolvessem.

Em Tóquio, ele diz ter se apaixonado pelo Santuário Meiji, no Parque Yoyogi, que por sua vez é belíssimo e um oásis de tranquilidade no meio de Shibuya, uma das áreas (se não a) mais pulsantes da cidade. Na saída da estação fica a Takeshita Dori, em Shinjuku, rua conhecida por ser o local da vanguarda da moda, além de reunir vários jovens.

Aos que não têm medo de altura, uma visita à Tokyo Sky Tree garante uma visão panorâmica da cidade em 360 graus e, em dias claros e sem nuvens, é possível ver o Monte Fuji no horizonte. “Quando for viajar de uma cidade para outra, por exemplo, de Tóquio para Hiroshima, pode-se pegar um voo em uma empresa low-cost, mas quando se tem a chance de viajar no charme do Shinkansen, o trem-bala, não se deve desperdiçar”, recomenda.

Os destinos usuais como Tóquio, Kyoto, Nara e Osaka são imperdíveis, mas é válido conversar com um guia e procurar outros lugares, os chamados off beaten path. Os aficionados em tecnologia e cultura pop japonesa devem dar um pulo em Akihabara com suas inúmeras lojas de eletrônicos, action figures e mangás. Outro ponto imperdível é passar um fim-de-semana hospedado em um ryokan, um tipo de hospedaria típica e bem tradicional da cultura japonesa. Se não conseguir, pelo menos ir a um onsen, que são banhos de águas termais em piscinas ao ar livre e compartilhadas, onde todos entram nus - geralmente separadas em piscina masculina e feminina, embora algumas sejam mistas. É preciso informar com antecedência sobre a existência de tatuagens, pois há aquelas que não aceitam.

“Em todo caso, se eu puder dar uma recomendação é: pegue seu smartphone, ligue o Google Maps, carregue seu cartão do metrô, seja o Suica ou o Pasmo, e rode a esmo pela cidade, ande pelas pequenas vielas pois são nesses locais que você pode acabar encontrando as melhores experiências”, desafia Marcello.

Sozinho e/ou acompanhado

Dá para ir com a família, mas também dá para ir sozinho guiado unicamente pelo espírito da aventura. No pouco mais de um ano da Ayumi no Japão, ela perdeu a conta de quantas vezes saiu sozinha, e aproveitou pra caramba. Para ela, Tóquio é cidade de solteiros, e se houver amigos por lá ou nas cidades próximas que possam, de repente, dar um apoio na hospedagem, melhor ainda. “Acho que em qualquer caso a programação necessária é mesmo a financeira, ainda mais se o objetivo for explorar outras localidades por perto”, avalia.

Por se tratar de um país, embora extremamente populoso, muito preparado em termos de infra e logística para receber, os hotéis, empresas e o sistema de transporte estão aptos a receber quem vai só e quem vai em família. “Como fui sozinho, a minha experiência foi completamente diferente, e me permitiu situações ótimas para isolamento e reflexão, bem como trouxe também momentos de saudade da família e querer estar compartilhando aquele sonho com eles”, explica Marcello. 

O serviço citado pelo visual designer Marcello Sarmento na reportagem é o Tabiji (www.tabiji.co), de propriedade do brasileiro Roberto Maxwell (https://www.instagram.com/robertomaxwell/

 

Para quem quer ver os jogos olímpicos

É melhor se programar, porque os jogos foram transferidos para 2021. Informações detalhadas com horários, locais e modalidades, estão disponíveis no site oficial do evento: https://tokyo2020.org

 


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