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O charme dos terraços gourmet

Bem humorado e íntimo admirador de um ambiente bem concebido, Paulo Morelli não mede esforços para situar o observador comum no significado do paisagismo - que, diferente do que muita gente pensa, “não é jardinagem, é a compreensão do todo, da essência do lugar e suas particularidades”. Para um bom terraço gourmet, o raciocínio não é diferente: é preciso entender o que faz parte da proposta para não errar na hora de montar a sua.

Paulo já trabalha com design de interiores há 18 anos; e, quando o assunto é Terraço Gourmet, ele não tem dúvidas: tem que ter “uma cozinha acompanhada de uma bela prateleira de ervas”. O site da Revista Leal Moreira bateu um papo com o designer e descobriu muito mais sobre assunto. Você não pode perder.

Onde e como o paisagismo é inserido em um terraço gourmet?
Muito confundido com jardinagem, o paisagismo é a compreensão do entorno e do meio onde se encontra. Então, sendo gourmet ou relacionado à comida, eu gosto sempre de colocar algo relacionado à gastronomia também. Fazer o paisagismo é isso: dar o direcionamento e dizer o que cabe, o que combina e o que não combina com ambiente.

Quais tipos de plantas se adequam a este ambiente?
O terraço gourmet não é o terraço de um jardineiro. Ele não pode ser cheio de plantas. Ele tem que ter comida, já que é um espaço dedicado a isto. Um tipo de planta adequado a este propósito é a jabuticabeira, que se dá muito bem em vasos - até porque esse é um pré-requisito, já que se trata de um espaço limitado como um terraço –, assim como vasos de ervas e temperos, também, são bem vindos.

Flores não entram, então?
É mais difícil. A flor de baunilha fica charmosíssima e dá para colocar. Mas depende da luminosidade, posição da varanda. De qualquer forma, é possível sim.
 
Quais temperos ou ervas são ideais para terraços?
O manjericão, cebolinha, sálvia, cheiro verde, estragão, orégano; todas colocadas em vaso. Eu já vi, por exemplo, um terraço com pé de couve, com aquela folhagem grande. Tudo que for relacionado à comida é vantajoso, é gostoso, é possível.


O que não pode?
Não pode, por exemplo, vegetais como o chuchu, porque ele precisa de muito espaço. É uma trepadeira grande, volumosa e no terraço tem a limitação do vaso. Eu recomendo mesmo as ervas em pequenos vasos.

Como deve ser a manutenção deste tipo de vegetação?
Ela sempre tem que ter água, nem sol ou vento em excesso, e carinho. Basta ter carinho para cuidar. Para quem viaja, já existe no mercado produtos que possibilitam esse cuidado automático.

Qual seria a maior tendência dos terraços gourmet da atualidade?
A jabuticabeira, que é bem espaçosa, mas tem folhas pequenas e resistentes. É uma planta que atrai passarinhos. E tendo uma luminosidade boa, ela fica muito feliz.



Quanto de vegetação é possível ter?
Aí é que entra o papel do paisagista: ele é quem vai dizer quanto se pode fazer. O melhor lugar para a mesa, os vasos etc. É preciso ter um equilíbrio para não deixar o ambiente pesado.

Quem quer investir em vegetação no seu terraço tem que ter...
Amor pelas plantas. Contratar um paisagista acaba saindo mais barato, mas você pode também ir em uma loja especializada em plantas e comprar o seu vasinho. Acho que este é o primeiro passo. Muitas pessoas, quando me procuram, acabam descobrindo um prazer pela jardinagem que é muito legal. As pessoas confundem às vezes, e pensam que é preciso ser paisagista para cuidar de um vasinho de planta. Não é nada disso. É preciso ter amor e uns princípios de jardinagem. O paisagista vai para poder ajudar a escolher o tipo de planta, o melhor local, o vaso que melhor combina...


É importante ter um ambiente como este em casa, um terraço gourmet?
Há um tempo não existiam terraços gourmet. Nas décadas de 60, 70, 80 não se falava jamais em fazer uma comida para alguém. Isso veio no começo deste século. E eu vejo este ambiente como uma necessidade do ser humano de praticar a sua natureza. O que a pessoa que já conseguiu tudo na vida vai querer simplesmente? É o mesmo sentimento ancestral dos homens das cavernas, que matavam os animais e juntavam os amigos em volta do fogo para compartilhar uma comida, confraternizar. O terraço gourmet nada mais é do que a necessidade do ser humano voltar à sua essência. É voltar a se relacionar com a natureza, e essa ligação é importantíssima. Estamos carentes disso, do resgate do básico, do primitivo. Já existe a mentalidade de que "eu sou uma pessoa que precisa ter um teto, uma planta, um lugar legal para fazer comida para os meus amigos". Ter um equilíbrio maior na natureza. Isso é a busca do simples. Em vez de a pessoa comprar algo para comer, ela quer ter o prazer de cozinhar em casa, com seus amigos; ela quer o que temos de básico, de essência. Quer simplesmente explorar a necessidade de compartilhamento que o ser humano está tendo. Isso é uma característica muito forte hoje em dia, e está cada vez mais intensa.


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