REVISTA

De repente, 15

Por Rodrigo Cabral

Fotos: Divulgação/artista

 

Celebrar uma década e meia de existência é reviver histórias – muitas das quais foram registradas em nossas páginas, ao longo de 64 edições. No apogeu da juventude, a Liv mudou e acompanhou o ritmo frenético do mundo e agora desembarca no celular, em um aplicativo que congrega informação e serviço.

 E se você fosse convidado, agora, a olhar para trás e lembrar-se dos fatos que marcaram a sua vida nos últimos 15 anos? Com certeza não escaparia da clássica e inevitável sensação de “passar um filme na cabeça”. O exemplar que está em suas mãos ou que você explora com o deslizar dos dedos em seu smartphone traz esse convite, de modo impresso e digital, representando uma das principais transformações pelas quais a revista Liv passou ao longo dessa uma década e meia. Inadiável, a versão on-line teve seu primeiro upload em 2011. Hoje, além da disponibilização das páginas para visualização na internet, a revista ganha seu primeiro aplicativo – tanto para Android quanto para o iOs, sendo possível compartilhar as URLs por meio de aplicativos de mensagens e outras redes sociais. “Reservamos para esta edição grandes novidades: o novo tamanho, mais executivo; o novo nome, um site completamente renovado, que privilegia informação e valoriza ainda mais nossos parceiros e anunciantes, além de um app para tornar o acesso à Liv ainda mais democrático e ágil!”, explica o diretor editorial da Liv, André Moreira. 

Bom, mas de volta à retrospectiva, recuperar memórias de 15 anos, realmente, requer o acesso a uma infinidade de dados. Muitas fotos, selfies, vídeos, áudios, memórias que o mundo atual já nos acostumou com a possibilidade e a facilidade de guardar em nuvens e acessar sempre que desejado. Não à toa, no site da revista, há uma galeria de edições anteriores para o acesso on-line. Precisamente, estão disponíveis os exemplares desde o de número 21. Este que você está lendo é o sexagésimo quarto! É muita história! Por isso, vamos evidenciar aqui alguns dos importantes vieses que permearam a produção da revista e a sua conexão com o mundo durante essa trajetória. A primeira edição da Liv saiu da gráfica em 2004 (com a pianista Glória Caputo na capa e com um projeto gráfico diferenciado e inédito aos padrões da época), mesmo ano de fundação do Facebook, que veio a ser a rede social com o maior número de usuários no mundo. Ou seja, a publicação já nasceu sabendo que precisaria encontrar diferenciais para se posicionar frente a toda movimentação que já se apresentava na internet. E encontrou! A própria world wide web, claro, ganhou destaque em muitas pautas. O impacto da rede mundial de computadores na economia, na cultura, no comportamento social, as consequentes inovações tecnológicas foram – e continuam sendo – temas de matérias e colunas. Tudo com muita leveza, instigando os pensamentos e os sentidos de quem viaja junto nessa leitura. Por falar em viagens, o ano seguinte (2005) marcou a fundação do Google Maps, o aplicativo que veio revolucionar a forma das pessoas encontrarem seus destinos. Se o mundo ganhava com a tecnologia a possibilidade de conhecer rotas em questões de segundo, a revista Liv buscava ir além, indicando lugares incríveis para visitar no Brasil e no mundo, apresentando cenários e culturas fascinantes, contando experiências de pessoas pelo planeta, ou seja, mergulhando em detalhes.

Esse foi o contexto do surgimento da Revista Leal Moreira (chamada, no começo de sua trajetória, de “Living”), que completa quinze anos. A publicação chegou ao mercado com a proposta de inovar e encantar os leitores. “Quando eu comecei a pensar na revista, já pensei nela como é hoje: grande e sendo um agente transformador. Dificilmente invisto esforços imaginando algo que não vá fazer diferença”, afirma André Moreira.

A revista – que já nasceu com formato de capa de vinil e layout inspirado em discos de jazz – começou com uma tiragem inicial de aproximadamente 5.000 exemplares e com um modelo gráfico e editorial estabelecido, mas sempre aberto a mudanças visando o seu desenvolvimento, como conta André Moreira. “No primeiro ano ainda, ouvi da equipe que, em vez de a revista ser de quem vivia um Leal Moreira, devíamos fazê-la para quem vivia e para quem deseja um Leal Moreira. Isso foi uma sugestão conceitual que fez muita diferença. A partir daí mudaram os personagens e a forma de abordá-los. Essa alteração aconteceu lá pelo quinto número e essa modificação foi, realmente, muito boa para a revista”.

Uma vitrine para artistas; um banquete para chefs

A Liv entrevistou figuras muito representativas para a cultura local e nacional: Oscar Niemeyer (em dezembro de 2006), Antar Rohit, Jorge Eiró, Tomie Ohtake, Os gêmeos; Paulinho da Viola, Ney Matogrosso, Maria Bethânia, Chico Buarque e Nelson Motta – que à época previu que a música paraense ganharia alcance e amplitudes jamais imaginadas. 

E ele não podia ter sido mais preciso.

Na música esses anos foram de uma projeção importantíssima. Vimos a banda Calypso driblar a lógica das gravadoras e seguirem por cerca de 10 anos em sólido sucesso nacional, com produção independente. No mesmo compasso, Gaby Amarantos tomou posse do seu espaço no cenário nacional e, além de representar a nossa música, também assumiu outras importantes representatividades, aproveitando sua posição atual para combater o racismo e a ditadura da beleza. 

Gaby subiu ao palco de um vazio Theatro da Paz para fotografar-se para nossas páginas. De lá, seguiu para o aeroporto e no dia seguinte, estreava na TV Globo.

Por nossas páginas, ecoaram ainda as vozes de Lia Sophia, Arthur Espíndola, Gaby Amarantos, Arthur Nogueira. Felipe Cordeiro foi matéria e nosso colunista.

Chefs premiados e estrelados também serviram banquetes aos nossos leitores: Elena Arzak, no ano em que foi premiada a melhor chef do mundo, conversou conosco em uma edição histórica – a maior, com 280 páginas. Além dela, Massimo Bottura, Jordi, Joan e Josep Roca (do festejado El Celler de Can Roca), Alex Atala, Thiago Castanho, Paulo Martins, Ângela Sicilia (nossa colunista até hoje!).

Se o recheio deu água na boca, as capas fizeram um convite irrecusável para devorar todas as páginas. Desde a primeira edição, a Liv sempre trouxe personagens em evidência no país. Atores, cantores, artistas plásticos, pensadores, atletas, histórias instigantes e inspiradoras. E também há espaço para eventos especiais, como a Casa Cor Pará e a Copa do Mundo. O cuidado com o conteúdo e com o visual, sempre presentes ao longo dos anos, mantiveram a revista sempre em forma. Este ano, além da mudança no nome, o tamanho da versão impressa da Liv mudou, ficando mais executivo e ainda mais gostosa de manusear. Como você já deve ter lido e ouvido muito nesses tempos de vida on-line, a mudança veio “para proporcionar uma melhor experiência ao usuário”.

A propósito, lá no passado, esse foi um dos principais objetivos para a criação da Revista Leal Moreira: proporcionar sempre a melhor experiência para os clientes e parceiros da construtora, oferecendo conteúdos diferenciados, abordagens profundas e diversas sobre temas que fazem parte do dia a dia ou que povoam o imaginário, que trazem poesia e prazer em ler. E essa, com certeza, continuará sendo a principal diretriz para os próximos 15 anos, independente do formato ou da plataforma. 


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