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REVISTA

Camelia Sinensis

Em uma folha de papel, eu escrevo todos os meus erros e aquilo que eu gostaria de fazer diferente de agora em diante.
A caneta no papel escreve pouco a pouco, um retrato deste momento, em tons falhados de azul em contraste com o pardo das folhas A4 recicladas que eu uso, porque fazem me sentir menos mau.
Palavras mal ditas, situações mal resolvidas, medos, insegurança, preguiças, prazeres complicados e fracassos, desejos, mentiras. Atritadas devido à força gravitacional da tinta em relação ao papel.
Por um momento, a gravidade desaparece e as palavras em tinta azul, flutuam a minha frente, transformando-se em suaves folhas de cerejeira, que voltam à superfície do papel transformando-se em um olho, que pisca na mesma velocidade que eu pisco. O espelho pardo reflete profundamente na Iris destes meus olhos, o desejo de mudança. Lágrimas não são necessárias.
Quando toco o espelho-papel com meus dedos, ele se desfaz em luz e transforma-se em belas folhas de Camelia Sinensis, e uma tigela de cerâmica feita pelas mãos de um velho mago chinês.
Água quente brota desta tigela e com leveza as belas folhas se desidratam entre o flutuar e cair em direção à tigela.
Com as duas mãos, eu bebo o chá de meus erros: o único remédio para um coração cansado de sofrer consigo mesmo.


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