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Até que nem tanto esotérico assim

Muitas vezes a tecnologia é colocada como vilã do desemprego, pois elimina postos de trabalho no atacado, substituindo mão de obra por novos processos ou máquinas. Não é diferente agora, quando a Inteligência Artificial começa a ocupar alguns espaços e deixa dúvidas sobre o futuro do emprego. Profissões como motoristas (até de aplicativos) devem dar lugar aos veículos autônomos; profissionais de call center serão substituídos por algoritmos. Até profissões especializadas, como médicos ou advogados, sofrerão competição com softwares.

O mundo não vai acabar, basta olhar poucas décadas para trás e perceber o movimento que a informática, precursora desse movimento atual de IA, causou. No início dos processos de automação de escritórios, há pouco mais de 40 anos, contavam-se aos milhões os postos de trabalho que atuavam em serviços como contabilidade, finanças, bancários, seguros e similares. Muitos trabalhos repetitivos como calcular, classificar, documentar, registrar, foram eliminados pelo uso de computadores e softwares simples. Naturalmente muitos cargos se extinguiram e pessoas foram dispensadas na busca por maior eficiência.

Ocorre que essa maior eficiência gera maior competitividade, reduzindo custos e, consequentemente, os preços finais. O resultado é que produtos e serviços passam a ser mais acessíveis. Por outro lado, o esforço de inovação não vem só de processos, mas de novos produtos e serviços. Há quarenta anos, por exemplo, não existia telefonia móvel, muito menos internet. Não é difícil perceber quantos novos produtos, serviços e empregos foram gerados com essa nova tecnologia. 

Uma outra forma de perceber as mudanças e seus efeitos é comparar dados. Na década de 1980 vivíamos em permanente crise e o desemprego não era menor que o que ostentamos hoje, porém a população cresceu mais de 50% e ainda houve maior inserção da mulher no mercado de trabalho. Não fosse a crise recente que elevou o desemprego no Brasil ao patamar superior a 12%, tivemos, em 2014, um desemprego na faixa de 8%, mesmo com toda inserção tecnológica que aboliu milhões de postos de trabalho, mas que acabou gerando infinitas novas atividades que, certamente, sucumbirão em outro momento. 

A evolução é permanente e alimentada pela competição para oferecer melhores produtos e serviços a menores custos. O desafio é não se perder no meio do processo.


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