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REVISTA

ALGUMA COISA SOBRE CRIATIVIDADE

Quando me perguntam como eu crio meus pratos, eu sinto um borbulhar no estômago, igual quando fazemos cozido.
Essa é a pergunta que eu mais tenho escutado depois de - Por que o que você faz é arte ?
E é ai que eu começo me embananar e tentar explicar o que é simples para mim.
Se eu caminho, seja na minha cozinha, seja no meu jardim, ou fora do meu mundo, cada passo é o combustível para os órgãos que eu sou.
Cada vez que eu fecho os olhos, eu vejo o prato que vai nascer e, na lingua, eu sinto as notas que devem estar.
Cada vez que eu fecho os olhos, eu vejo o porquê.
Essa cozinha é visceral. É o que eu sou e o que eu serei.
Ela muda dia a dia, como eu mudo, ela cresce e regride, sem medos, da mesma maneira que eu o faço.
Essa persona que é digerida pelo espectador é a minha maior realização. O conforto de um abraço.
A cada hora em que eu penso em simplesmente desistir.
Dentro no meu museu particular, eu gravo e copio, tudo o que eu vi, vivi e senti. Eu penduro nas paredes as vistas mais impressionantes, os caminhos mais tortuoso, os momentos mais inebriantes.
Eu guardo em uma gaveta o suspense, o terror... e a agonia, esta vai bem guardada em uma pasta que leva um cadeado.
Dessas lembranças, eu só preciso a titulo de registro.
Nesse museu particular, eu caminho livremente e confortável pelo chão de grama. Com um martelo na mão, obras no braço e pregos nos lábios.

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