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REVISTA

A Condessa de Orval

 

Matilde de Canossa foi uma das mulheres mais notáveis da idade média, empreendendo importantes campanhas militares e exercendo liderança decisiva no papado de São Gregório VII. Seu principal legado, porém, não é contado nos livros de história, mas nos registros oficiais de uma das mais importantes cervejarias trapistas do mundo: a Orval.

Matilde tinha menos de dois anos de casada quando recebeu a trágica notícia do assassinato de seu marido, em 1076. Com o objetivo de se recuperar emocionalmente, aceitou o convite para viajar à Bélgica e se hospedar em um pequeno mosteiro na região de Luxemburgo. Ali viviam alguns monges refugiados da Itália que haviam acabado de fundar a primeira comunidade beneditina da Bélgica.

Em um dia comum de contemplação, ao mergulhar suas mãos em uma fonte, Matilde deixou seu anel de casamento escorregar e se perder nas águas do Mosteiro. Desolada com a perda do objeto de inestimável valor sentimental rogou à Virgem Maria que a ajudasse a reencontrá-lo. Ao fim da oração uma Truta saltou das águas com o anel na boca, trazendo-o de volta à superfície. Surpresa, a Condessa disse: “Este lugar é um Vale do Ouro”, do francês “Val d’Or”, que ao longo do tempo tornou-se Orval.

Como gratidão, Matilde se comprometeu a financiar as atividades dos Monges, inclusive na construção de uma abadia em homenagem a Nossa Senhora, o que proporcionou um longo período de prosperidade. Mais tarde, o monastério sofreu algumas tragédias naturais, além de saques e invasões, até ser novamente restabelecido. Durante este período os monges se uniram à ordem Trapista e passaram a fabricar cerveja para arcar com seus projetos.

Atualmente, a abadia de Nossa Senhora de Orval recebe milhares de turistas e é responsável por uma das melhores cervejas do mundo. Dentro de seus muros, até hoje, a fonte de Matilde é preservada em meio as suas ruínas medievais. Da mesma forma, até hoje, por tradição, a imagem da Truta e o anel de ouro são preservados no rótulo da única cerveja fabricada por seus monges. E até hoje, por gratidão, quando diante desta cerveja primorosa, ergo meu copo em homenagem a Matilde, a Condessa do Vale de Ouro da Orval.

Dicas

Orval, da abadia Notre-Dame D’Orval. Cerveja trapista única, de altíssima personalidade. De coloração cobre, possui aroma complexo frutado, cítrico e incrementado com a inconfundível nota de celeiro proveniente da adição da levedura Brettanomyces. O sabor acompanha o aroma com o final seco e levemente amargo. Uma verdadeira obra-prima – Estilo Belgian Specialty Ale; 6,2% ABV; R$ 26 / 330 ml. Origem: Bélgica.

Chimay Blue Cap, da abadia Notre-Dame de Scourmont. Cerveja trapista potente, de elevada complexidade. De coloração marrom-escuro e espuma de breve consistência. No aroma o principal destaque é para o dulçor do malte com notas de caramelo e chocolate, além do tradicional frutado proveniente da fermentação lembrando frutas vermelhas e ameixa passa. À medida que a temperatura se eleva os aromas se intensificam, revelando notas exuberantes de vinho do Porto entre outros. O sabor acompanha o aroma com médio amargor e incontestável dulçor. O corpo licoroso dá o toque final nesta elegante cerveja trapista – Estilo Belgian Dark Strong Ale; ABV 9%; R$ 26 / 330 ml. Origem: Bélgica.


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