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A batida que vem do Norte

Contar a trajetória do ritmo brega desde seu inicio no ano de 1990 até os dias de hoje com o advento das aparelhagens é a iniciativa da exposição “Tecnobrega: A batida que vem do Norte”, organizada pelos alunos do curso de Museologia da Universidade Federal do Pará (UFPA).  A dança, o “treme”, e a indústria fonográfica também fazem parte da exposição. Para representar essa cultura, de maneira material, são expostos vinis, fotos, revistas, CDs e figurinos de artistas regionais, como a banda Gangue do Eletro e Gaby Amarantos. Os participantes também podem interagir com a exposição experimentando as roupas no estilo dos grupos que freqüentam as festas de aparelhagem ou das chamadas “famílias. Músicas também são disponibilizadas para quem quer conhecer o ritmo.

O tema foi escolhido pelo fato do ritmo ter se tornado um fenômeno da cultura do Estado que teve grande expansão nacional, além de ter sido elogiado por grandes críticos, como Nelson Mota. A recente luta pela legitimação dos grupos ligados ao tecnobrega, por meio de um projeto de lei que pretendia torná-lo patrimônio cultural e artístico do Estado do Pará, também contribuiu na escolha do tema.

Embora o projeto de lei tenha sido vetado em instância estadual, percebe-se que existe uma demanda da sociedade paraense que torna o ritmo um elemento importante da sua dinâmica cultural.  Por isso, é preciso que haja um esclarecimento à população sobre a desmitificação de conceitos atribuídos ao ritmo.

Segundo o estudante Jadson Silva, do curso de Museologia e um dos idealizadores do projeto, O tecnobrega ainda é muito marginalizado mesmo no Estado do Pará. Constantemente, vemos pessoas que atribuem o ritmo ao banditismo, à marginalização, ao roubo e a uma série de outras coisas. Mesmo pessoas já esclarecidas, que frequentam a academia, que estudam autores que falam sobre o respeito, que tratam a questão patrimonial, que procuram estudar muito mais com as comunidades, mesmo essas pessoas, de certa forma, acabam não percebendo a potência que é o tecnobrega.

O professor Diogo Melo, coordenador do evento, é importante a presença de um espaço como este dentro da Universidade é importante, já que devemos aproximar a comunidade de dentro e fora da academia, e mostrar que, do outro lado dos muros, existe uma cultura, uma produção musical e artística interessante, para os quais a Universidade deve voltar seus olhares; além de quebrar o paradigma da Museologia, de ressaltar um patrimônio mais erudito e mostrar que conceito de patrimônio é muito mais amplo, ele é a valorização do que o povo está fazendo.

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Serviço:
Exposição Tecnobrega: A batida que vem do Norte
Período: até 29 de março
Local: Galeria César Moraes Leite, no espaço cultural Vadião, no horário das 10h às 17h.
Fone: 3201.7463 / 3201 8039 / 8272.1100/


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