REVISTA

Revolução Cervejeira

Nos anos 70, um espectro rondava os EUA - o espectro da Revolução. Depois de anos vendo sua tradição cervejeira sucumbir diante de gigantes indústrias que substituíam ingredientes nobres, como malte de cevada, por arroz e milho para obter melhores margens financeiras, um grupo de cervejeiros da Califórnia iniciou um fantástico movimento que mais tarde seria conhecido como “Microbrewery Revolution” (Revolução das Micro-cervejarias). Tinha como missão construir uma nova cultura cervejeira perdida ao longo dos anos. Enfrentou uma série de dificuldades até conseguir contaminar o país inteiro com seus ideais. Hoje, temos, apenas nos EUA, mais de duas mil micro-cervejarias unidas fabricando, com extrema qualidade, todos os estilos de cerveja possíveis e transformando a terra do Tio Sam em um verdadeiro paraíso na terra.

Na Europa um outro grande movimento redesenhava o modelo de consumo no velho continente, o “Craft Beer Renaissance” (Renascimento das Cervejas Artesanais).  Vários consumidores defendiam o resgate de pequenas cervejarias que estavam desaparecendo em função do avanço das grandes indústrias. Mais uma vez o espírito revolucionário impulsionou uma legião de cervejeiros a exigir identidade nos produtos que consumiam. Mais do que isso: exigiam produtos locais dos quais pudessem se orgulhar. Pequenas atividades que formam hoje uma das mais fascinantes culturas cervejeiras  do mundo.

O Brasil é a “bola da vez”. Aos poucos, vamos acordando de um sono profundo que nos deixou paralisados por anos. Enquanto havia no mundo mais de cento e vinte estilos de cerveja com milhões de rótulos fantásticos nós ainda estávamos presos à meia dúzia de variações da mesma cerveja industrial.

Não tenho nada contra as cervejas mainstream que dominam 99% do mercado brasileiro, terceiro maior produtor do mundo. São chamadas assim por serem bebidas padronizadas, desprovidas de aroma, sabor e amargor e sem qualquer diferencial entre si além das brilhantes campanhas publicitárias. Defendo apenas, como os revolucionários, que precisamos agir para criar nossa própria identidade.

Com cerca de duzentas micro-cervejarias brasileiras desenvolvendo milhares de produtos fantásticos podemos dizer que estamos em plena revolução. Não à toa nossas cervejas tem conquistado importantes premiações mundo afora, como a cervejaria mineira Walls que venceu este ano a World Beer Cup nos EUA com sua maravilhosa Dubbel, uma cerveja do estilo Belgian Strong Ale Dubbel com forte aroma de frutas secas, notas de especiarias e maltes especiais. A World Beer Cup, como o próprio nome sugere, é uma espécie de copa do mundo das cervejas e uma das premiações mais importantes do setor.

Em paralelo surgem os milhares de cervejeiros caseiros espalhados pelo Brasil com suas produções cada vez mais criativas. Organizados em associações trocam receitas e compartilham criações, contribuindo fortemente com a revolução.

Com toda essa atividade aquecida não demorou para que surgissem vários bares e empórios especializados em cervejas artesanais e importadas. Locais temáticos que harmonizam gastronomia com milhares de opções desta que é a bebida mais consumida no mundo e, sem dúvidas, a mais democrática.

E no topo de toda esta pirâmide revolucionária está você, que tem papel decisivo no movimento. “Beba menos, Beba melhor” - defendem os revolucionários, pois agora temos produtos frescos com aroma, sabor e amargor dignos de serem degustados com calma e atenção. Viva a Revolução!


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