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Pintura que imprime a própria história

É possível dizer que a história, que a trajetória do artista plástico Alberto Nicolau tem pedaços dela escritos pelo mundo. São Paulo, Rio de Janeiro, Paris. E ela começa aqui em Belém, onde ele nasceu, no início da década de 60. Ainda durante a infância, quando ele tem os primeiros contatos com as aulas de pintura e desenho, se iniciava ali uma relação que mudaria completamente sua forma de ver e levar a vida. Uma relação que sempre lhe traz de volta para onde tudo começou.

 

 

"Eu me lembro muito bem desta época, porque esperava com ansiedade as aulas na escola, com o pintor e professor Benedito Mello. Desde ali eu já adorava pintar e desenhar, desde muito cedo", recorda Alberto. "Nós saíamos para pintar do lado de fora, era muito bom", lembra, mostrando que o favoritismo por retratar paisagens e ambientes externos, característica marcante de seu trabalho é algo que começa junto com sua própria história de artista plástico. "Sou um romântico por natureza", admite-se, em uma frase que permite uma interpretação tanto pessoal quanto profissional.

 

O final da década de 70 e o início da década de 80, no entanto, marcam uma pausa nas atividades com pincéis e aquarelas. A família de Nicolau deixa Belém para morar no Rio de Janeiro e ele embarca para a França a fim de estudar uma outra arte: a música, mais especificamente, piano clássico, aos 18 anos de idade, na École Normale Supérieure de Musique. Mas em 1985 ele retoma a pintura, com aulas na Academia La Grande Chaumiere e, de cara, realiza sua primeira exposição, durante uma visita ao Rio, na galeria Realidade. 

 

 

 

"Não parei mais. Foram quase 20 anos em Paris e nove anos em Normandie, uma região linda perto de Giverny, onde Claude Monet [pintor francês, 1840-1926] morou!", relata, falando sobre o cenário que lhe inspirou a pintar novamente. "Registrar aquelas paisagens da região em tela é um sonho, e sempre foi o meu sonho", justifica, revelando inclusive que este é um cenário para onde ele volta com alguma frequência.

Já de posse da nacionalidade francesa, Nicolau deixa a Europa após 27 anos e volta a morar no Brasil, em 2007, mas escolhe ficar em São Paulo, onde naquele momento está sua família e também sua galeria. "Gosto do tudo que a cidade tem a oferecer, muito embora meu atelier fique afastado do centro, a 28 quilômetros da capital, em Guarapiranga. É lá onde pinto, cozinho, cuido de meus cães, gatos e jardins", conta. Em 2010, teve a chance de deixar sua marca em um dos pontos mais movimentados da capital paulista: é dele a obra "Árvore Subterrânea", pintada na Estação Sacomã, da Linha Verde do metrô.

 

 

Cada vez mais perto das origens, o artista plástico, hoje aos 54 anos, acabou retomando também o contato com Belém, e agora não perde uma oportunidade de estar aqui, seja para matar a saudade, seja para se inspirar. "É uma relação muito forte, mas que ficou adormecida por muito tempo. Agora voltou com tudo! Essa energia toda por estar à beira dos rios... A chuva, as cores, o cheiro, a natureza, as frutas os peixes... Não existe em lugar nenhum do mundo com toda esta riqueza natural", derrete-se Nicolau, mostrando que nem a distância e o tanto de tempo longe abalou seus laços com a cidade onde nasceu. "O que ponho nos quadros é o que gosto, pinto minha vida. Flores, árvores, piano, minha casa, meu jardim! Como se cada tela carregasse um pouco da minha história", afirma. "Estou em uma fase boa da minha vida, hoje consigo entender melhor como funciono!", garante Nicolau, que continua pintando e morando em São Paulo, mas sem um grande projeto de exposição para o momento. "Continuarei com minhas viagens, sempre de olho no que está acontecendo de novo e para me inspirar...", adianta.


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