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REVISTA

Peru, a fartura latino-americana

Quando entrei no avião que me levaria ao Peru, não podia imaginar o destino mágico que me aguardava. 
 
Lar do Império Inca, o maior da América pré-colombiana, o Peru é lar também de culturas muito relacionadas à fartura de grãos, como o milho, e de tubérculos, como a batata [item, aliás, extremamente respeitado por lá e que chega ao impressionante número de três mil variedades catalogadas], além da quinua [que se tornou mais popular no Brasil de cinco anos para cá].  Não bastasse uma história tão rica, o Peru também carrega consigo a qualidade mais importante, na minha opinião: fazer uma gastronomia ousada e de respeito às suas origens incas/indígenas. Aliás, o respeito à terra é de impressionar. Os peruanos possuem uma verdadeira devoção pelos pequenos produtores – considerados peças-chave para a alta gastronomia local, produto de exportação.
 
Se você, leitor, tiver um dia essa oportunidade, esse verdadeiro privilégio de viver a gastronomia peruana in loco, dedique um dia inteiro a visitar o mercado da cidade. Perceba quão orgulhosos [na melhor das acepções] os peruanos são; quão gratos eles se sentem pelo milho, pelas batatas. Aprecie os cebiches, os peixes. Perceba e, principalmente, experimente. Você certamente perceberá muita similaridade com a riqueza da cultura gastronômica paraense. 
 
Você verá que a aji amarillo, uma pimenta saborosíssima, é imprescindível à mesa deles, tal como a pimenta de cheiro é para nós. Também perceberá que a gastronomia é um importante [e fundamental!] elemento de fomentação do turismo peruano. O turismo gastronômico é um chamariz do Peru. Viu quanta semelhança conosco? 
 
Os quase dois meses que passei no Peru [na Le Cordon Bleu] foram de um aprendizado único. Como chef, sem sombra de dúvidas, mas muito mais como indivídua. Lá é muito comum e quase obrigatório ouvir palavras de gratidão precedendo a hora de comer. “Que este alimento nutra nossos espíritos!”
Como paraense que sou, cabe-me a missão de levar nossos sabores únicos aonde quer que eu vá... mas voltei com uma bagagem maior e muitas ideias na cabeça. E é por isso que eu acredito na gastronomia latino-americana. Não somos diferentes – somos muito mais parecidos do que imaginamos. 
 
Minha mãe costumava dizer que a gente conhece o caráter das pessoas pela relação delas com a comida; pela fartura e pela generosidade com quem tratam o próximo. Viva a generosidade do povo latino-americano!

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