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On the road na Nova Zelândia

Texto: Larissa Noguchi

Fotos: Divulgação 

 

 

Longe de tudo, entre outras ilhas do triângulo polinésio, está um dos destinos mais procurados para quem é apaixonado por aventura e paisagens que ficam na memória para o resto da vida: a Nova Zelândia. A jornalista Larissa Noguchi e o marido decidiram embarcar numa aventura inesquecível pelo país.

 

O país era apenas a passagem para a minha viagem de lua de mel, mas meu marido e eu decidimos ficar cinco dias para conhecer Auckland e realizar um sonho de aventureiro: alugar aquelas vans que tem tudo e pegar a estrada, numa vibe on the road, por um lugar desconhecido por nós. E foi isso que fizemos: vivemos uma experiência que guardaremos a vida toda. 

 

Há que se dizer algo, antes de tudo: tem que ser desapegado para encarar banheiro dentro da van, dormir no carro, fazer comida e morar por alguns dias nesse tipo de veículo, mas para nós foi tranquilo. Antes de viajar, pesquisamos os sites de aluguel de van e chegamos lá bem encaminhados para isso. 

Para quem quiser fazer o mesmo, tem que se preparar e tirar a permissão internacional pelo menos 4 meses antes da viagem para dirigir em outro país. 

O sorteado da vez foi meu marido, Alan, que nunca tinha dirigido na mão inglesa e deu super certo, mais tranquilo do que imaginávamos. O país tem estradas ótimas, muito sinalizadas e motoristas conscientes, foi fácil encarar o volante por lá.

 

O país é dividido em duas grandes ilhas, a ilha norte, onde está Auckland, e Coromandel onde escolhi explorar. Auckland é uma cidade grande, com ritmo acelerado e é o principal centro econômico do país (mas não é a capital). 

A primeira visita foi ao Auckland Museum, o Museu nacional, onde assisti uma apresentação de dança Maori e pude conhecer um pouco mais sobre essa cultura e costumes. Os Maoris são os povos nativos da Nova Zelândia, que chegaram por lá há mais de mil anos, vindos de ilhas da Polinésia. A cultura e costumes são preservados no país, inclusive, a língua maori.

 

 

Pela cidade, a hospedagem foi em um hotel barato e no centro, afinal, era só para passar o primeiro dia. À noite, a dica é conhecer os pubs.

 

Decidimos pegar a estrada no segundo dia de viagem e baixei o mapa local para usar o GPS, mas não dispensava um mapa de papel para ter aquela sensação de pegar a estrada para o desconhecido, sabe? Os cenários, por onde passamos eram incríveis e, em vários pontos, é possível parar para apreciar a paisagem das montanhas e até lugares com trilhas e cachoeiras. Parei em uma mas não tive coragem de tomar um banho gelado (fazia uns 10 graus).  O destino, Coromandel, fica a duas horas de Auckland. Ao chegar por lá, procuramos um lugar para estacionar a van e carregar as baterias. Vários acampamentos pelo país têm estacionamentos com tomada para este serviço. Carro estacionado, rumamos para a famosa praia “Hot Beach” que tem água quente na areia. Inusitado né? A formação dessa praia é vulcânica, então, a pedida é cavar um buraco na areia da praia e ficar de molho na água quentinha. Fazia uns 15 graus e a água do mar estava congelante. Os hotéis e hostels das proximidades até alugam uma pequena pá para poder cavar o buraco. Foi demais! Encontramos pessoas de vários lugares do mundo.

 

 

Em Coromandel, também é possível fazer trilhas. Em vários lugares, há sinalização de trilhas para visitação e todas são gratuitas. Escolhemos uma com até mais ou menos 1 hora e meia de caminhada. O destino era a Cathedral Cove, um lugar exuberante onde foram gravadas cenas do filme “Crônicas de Nárnia”. Uma caverna enorme que parece um portal, bem de frente para o mar azul claro da baía de Mercury, um dos lugares mais bonitos que já vi nessa vida.

 

 

Todo o país é encantador. A Nova Zelândia tem muitas montanhas, vulcões inativos e as formações geológicas que são impressionantes. Não à toa, foram cenários de “O Senhor dos Anéis”. Pelo litoral de Coromandel, entre trilhas montanhosas e o encontro com o mar, é possível se sentir em um desses filmes.

Já a Ilha Sul é conhecida como a terra de invernos gélidos e as maiores atrações são os picos. Aqui deixo a dica pra visitar a cidade de West Coast, conhecida como lar das cavernas. Para quem gosta de aventura, dá pra fazer rafting subterrâneo pelas águas escuras ou se não curtir esporte aquático, explore as cavernas e grutas iluminadas por vagalumes. Embora tenhamos passado lá apenas 5, certamente é um país para explorar por, pelo menos, 15 dias!

A Nova Zelândia é um país totalmente sustentável, ruas e estradas muito organizadas e sinalizadas. Um país diverso, com muitos imigrantes chineses e indianos e que também recebe vários intercambistas para aprender a falar inglês. Na internet, achei também vários brasileiros que escolheram esse país para viver. Depois de uma viagem como a minha, quem sabe um dia?

 

 

Planeje sua trip! 

Buscamos os bilhetes aéreos quase um ano antes da viagem. Dá para acionar alarme nos sites de busca até conseguir um bilhete com valor baixo. Saindo de São Paulo, a escala é em Santiago, no Chile, até Auckland.

Como chegar?

Como chegar?

Até outubro de 2019, não era necessário visto para entrar na NZ, mas agora já é exigido. É preciso entrar no site oficial do país (www.immigration.govt.nz/) e solicitar. É necessário preencher um formulário com dados e objetivo da viagem além de apresentar declaração de antecedentes criminais. O documento tem validade de dois anos. Custa 47 dólares neozelandeses (média de R$127) para turismo e negócios.

 

 

 

Onde se hospedar?

Se decidir ficar na região central, há vários hotéis no centro com preços bem baixos. Você também encontrará hotéis 5 estrelas e com paisagens incríveis. Nas regiões mais afastadas e isoladas, tem parques para acampamento, trailers e até casas de férias.  Se decidir ir para outras regiões da NZ, vale muito a pena alugar o motorhomeA experiência de dormir na van, cozinhar e fazer tudo mais dentro do carro, é muito bacana para quem curte pegar a estrada. Além de ser econômico, comprei tudo no supermercado e cozinhava. A alimentação em restaurantes e lanchonetes é cara.

 

 

 

Clima e tempo

A temperatura média da NZ diminui conforme você viaja para o sul. Eu, por exemplo, fiquei na Ilha Norte, as temperaturas variavam entre 15 e 20 graus.

De dezembro a fevereiro é verão, logo são os meses mais quentes. Março a maio é outono. De junho a agosto é inverno, e julho é o mês mais frio do ano. Setembro a novembro é primavera. Na estação mais quente, a média das faixas de temperatura máxima varia entre 20 e 30 graus, já no inverno, entre 10 e 15 graus.


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