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REVISTA

O novo Stroke e a velha onda

Em meio a tantas críticas e polêmicas, algo é indiscutível no novo disco do Strokes: o grupo nova-iorquino, com músicos na casa dos trinta, já não é o mesmo da estreia fonográfica que lançou o hit “Is this it”, em 2001. E isso, penso eu, é uma virtude! O “Comedown Machine”, quinto disco da banda, lançado pela RCA, mostra um trabalho adulto, pop, equilibrado e corajoso.

A new wave está na cabeça, assumida em todos os seus desdobramentos. Fundidas essencialmente ao synthpop, mas também àquela herança pós-punk que vem do Vevelt Underground, o álbum surpreende com o excesso de guitarras e sintetizadores inspirados nos 80, lembrando A-ha! e tecnobrega em “One Way Trigger”. Aliás, essa faixa gerou inquietações, vê-se que a icônica banda do indie rock está noutra onda (ou sempre esteve), livre de rótulos e muito distante dos preconceitos previsíveis da crítica “roqueira” média.

Dizem que o Strokes está assimilando influência dos trabalhos solos do vocalista Julio Casablancas, e que isso não é bom. Mas, radicalizando uma tendência do trabalho anterior – o Angles (2011) – o novo disco bebe das fontes do pop, sem pudor e com seriedade, nos fazendo crer que o grupo não tem a pretensão de ser salvação do rock ou algo assim, ideia cada vez mais esvaziada de sentido. Chego a imaginar que a nona canção do Comendown Machine, a inebriante “Chances”, poderia estar facilmente num álbum do Tears For Fears ou numa FM convencional, largadas sem causar estranhamento na companhia de outras de padrão oitentista.

Fechando o percurso, a letárgica “Call It Fate Call it Karma”, lembra João Donato e bolero latino, numa mixagem elegante, com as guitarras de Albert Hammond Jr e Nick Valenci em primeiro plano, sobre a voz caprichada de reverbs dos anos 50 de Casablancas.

  A nova onda (já nem tão nova assim) é beber no velho, que de tão velho tem vida. A new wave é a última grande morte da música pop, logo é a grande música moderna, por excellence. Strokes tá mais vivo do que nunca. O rock, o indie... já não se sabe.


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