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REVISTA

MUITO BONN

Texto: Thiago Melo

Fotos: Michael Sondermann/Bundesstadt Bonn

 

Para os amantes da música clássica, da história, e das artes, a cidadezinha é repleta de atrações. E anualmente, nos meses de setembro e outubro, promove um festival que homenageia o seu célebre filho: Beethoven.

 

Bach, Schumann, Wagner. Não faltam referências da música clássica quando se pensa na Alemanha. Dentre tantos nomes ilustres, um se destaca por ser o maior compositor da história: Ludwig van Beethoven. Mesmo tendo vivido no país até os 12 anos (1770-1782), antes de se mudar para Viena, na Aústria, Beethoven é o filho pródigo de Bonn.

A cidadezinha, que fica no oeste alemão, próximo a Colônia, às margens do rio Reno, já foi capital federal e hoje guarda muitas curiosidades sobre Beethoven e, claro, oferece espaços imperdíveis para os fãs do compositor e amantes da boa música. 

Em Bonn, é difícil não encontrar referências à obra ou à figura de Beethoven. O músico está por todos os lados: nomes de ruas, praças, farmácias, prédios, pontos turísticos, claro, em estátuas. Aliás, estátuas de Beethoven é o que não falta na cidade.

A estátua mais famosa do compositor, construída em 1845, está situada na praça Münsterplatz, no centro antigo de Bonn. A escultura, que é um dos cartões-postais da cidade, retrata Beethoven em tamanho natural, com uma caneta de pena e um bloco na mão. Para além de representar o filho célebre de Bonn, o monumento é motivo de orgulho para os moradores, pois foi uma das poucas construções que resistiram aos bombardeios durante a Segunda Guerra.

Beethoven-Haus: A casa de Beethoven 

A Casa de Beethoven, no centro histórico, abriga a mais importante coleção referente à vida e obra de Ludwig van Beethoven (1770-1827). Por ano, o espaço recebe mais de 100 mil visitantes. Tamanho sucesso, segundo o diretor da Beethoven-Haus, Malte Boecker, se deve a três elementos principais da história.

“O primeiro é que Ludwig van Beethoven nasceu em Bonn. O segundo é a fundação de uma associação de cidadãos, em 1889, criada para preservar o local de nascimento do compositor. E o terceiro, eu considero como um milagre, pois a casa não foi destruída pelas bombas na Segunda Guerra Mundial”, conta Malte Boecker.

Localizada no número 20 da pitoresca rua Bonn

 

gasse, a Beethoven-Haus reúne elementos que remontam boa parte da vida do compositor natural de Bonn. Um passeio através dos doze quartos do museu apresenta objetos e escritos originais que refletem pensamentos e emoções de Beethoven.

Assim como a estátua na Münsterplatz, a casa de Beethoven, surpreendentemente, é uma das poucas do centro histórico de Bonn em pé depois dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Segundo o diretor do museu, o então zelador da casa, arriscando a própria vida, protegeu o prédio durante um ataque aéreo em outubro de 1944, simplesmente atirando para os jardins do entorno as bombas incendiárias que caíam sobre o telhado.

Além de museu, desde 1989, a casa também serve como espaço para apresentações e concertos. A sala com decoração elegante costuma estar sempre cheia ao longo do ano, mas especialmente durante o Beethovenfest, o festival de música clássica que a cidade promove desde 1845.

 

A alma musical de Bonn

Criado pelo compositor, pianista e mecenas das artes austro-húngaro Franz Liszt, o Beethovenfest é uma tradição em Bonn e compõe a lista de cerca de 500 eventos anuais dedicados à música na Alemanha. O festival é realizado todos os anos entre os meses de setembro e outubro, e dá um novo ritmo à cidade.

Eventos gratuitos nas praças do centro histórico, como a Marketplatz, ou concertos elegantes em uma das inúmeras salas de música movimentam o calendário cultural de Bonn durante o festival. A diretora-geral do Beethovenfest e tataraneta de Liszt, Nike Wagner, diz que o evento até hoje se inspira pela vida e obra de Beethoven, com muito de sua música nas programações, mas também busca dar destaque a um repertório contemporâneo. 

Na edição de 2016, o Beethovenfest foi da Revolução Francesa à “Primavera Árabe” para discutir as diferentes facetas dos ideais de liberdade e igualdade na sociedade, destacando as subversões na música e como a arte faz parte deste processo.

O foco central foi em Beethoven e na influência que a Revolução Francesa teve no seu trabalho, mas não só. O público se supreendeu com o caráter contemporâneo do festival, que apresentou o espetáculo inédito “Songs of Springs”, uma reunião de narrativas da revolução árabe por meio de vídeo, piano, violino, canto e poesia. A obra foi criada em conjunto por compositores da Tunísia, Bahrein, Síria, Turquia e Egito. 

Apesar de ser “carinhosamente” chamada de “vilarejo federal” (Bundesdorf) pelos alemães, que brincam com o fato de a pequena cidade ter perdido o status de capital do país após a reunificação em 1991, Bonn preserva a essência do seu ilustre filho e revela-se um importante centro cultural da Europa.

Saiba mais

• Como chegar:

Saindo de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, é possível chegar a algumas das principais cidades alemães, como Berlim, Munique e Frankfurt. Esta última é a que está mais perto de Bonn. Em apenas duas horas, de trem, você chega à cidadezinha de Beethoven.

 

• Melhor época para ir:

São duas: a primeira é o fim do verão e início do outono, entre setembro e outubro, por causa do Beethovenfest; a segunda é entre abril e junho, na primavera, quando a cidade também recebe muitos turistas por causa das suas ruas floridas com cerejeiras.

 

• Fuso horário em relação ao Brasil:

5h no verão e 4h no inverno (horário de Brasília).

 

• Língua oficial:

Alemão

 

• Moeda:

Euro

 

• Visto:

Não precisa se for passar até três meses como turista.

 

• Vacina:

É preciso ter certificação Internacional para Febre Amarela

 

• Embaixada oficial no Brasil:

SS 807, Lote 25 - Brasília, DF, 70415-900

Telefone: 61 3442-7000

 

• Mais informações:

http://www.brasil.diplo.de


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