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REVISTA

Moda internacionalmente paraense

Foto: Divulgação

O mercado da moda vem conquistando espaço e ganhando cada vez mais conteúdo dentro do território paraense. A riqueza de detalhes e a peculiaridade nos materiais encontrados aqui se juntam à criatividade na hora de utilizá-los. Não é à toa que a moda paraense impressiona e ganha reconhecimento nacional e internacional.

Destaque nos eventos de moda no Brasil e também no exterior, a conceituada estilista paraense, Lele Grello, sempre contribuiu para o fortalecimento desse mercado na região. Com um talento admirável e uma visão empreendedora, a estilista que já atuou em exposições de moda nos Estados Unidos e na França, mistura a alta costura com elementos da terra, valorizando o que há de mais belo e rico na região. Apaixonada pelo que faz, ela conta pra gente os detalhes dessa carreira brilhante e os desafios que enfrentou até chegar ao sucesso.

Site Revista Leal Moreira: Como e quando surgiu a vontade de ser estilista?
Lele Grello:
Desde muito cedo, sempre fui ligada à moda, roupas, estética. Daí fiz vestibular para arquitetura [curso que ela frequentou até o terceiro ano], depois decidi mesmo que moda estava em primeiro lugar.

SRLM: O início da carreira foi difícil?
LG: Não, tudo surgiu muito naturalmente. Depois que decidi interromper a faculdade, comecei a dedicar o tempo à moda e, em seguida, passei uma temporada de quase dois anos em Paris – tempo em que maturei a nova profissão. Quando voltei, abri a primeira boutique, que foi uma grande novidade na cidade. Foi tudo como uma explosão: uma loja conceito, uma estilista de moda - nada disso existia por aqui.

SRLM: Quais são as características do teu trabalho?
LG:
Gosto de uma roupa bem cortada, bem costurada e bem acabada. E mesmo em tempos de massificação, resgato sempre um refinamento que confere um ar de excelência e bom gosto.

SRLM: Como está a nova coleção? O que os clientes podem esperar?
LG:
Linda. Essa coleção tem etnia, que flui em cada modelo.
 
SRLM: As pessoas têm uma ideia de que tudo que vem do Pará deve ter uma semente, pedra, algo característico da Amazônia. Como você faz para quebrar esses estereótipos?
LG:
Cada um faz bem feito o que sabe, o que vive, o que pesquisa. Dependendo da arte na qual você atua, seja culinária, pintura ou moda, cada um tem seu olhar e pode mostrar isso de uma forma simples, mas sempre criativa e o Pará é muito rico em materiais diferenciados. Quem sabe colocar uma semente ou uma pedra no lugar certo leva vantagem?

SRLM: Ser do Pará e, ao mesmo tempo, reconhecida nacionalmente é um privilégio pra poucos?
LG:
Isso requer um sério e longo trabalho, mas tudo é possível. Tempo também é um aliado desse privilégio.

SRLM: Como você avalia o mercado de moda aqui no Estado?
LG:
Difícil. A maior dificuldade é a falta de apoio com a indústria do que se fabrica aqui, tornando assim, no caso da costura, uma competição muito desnivelada com o nordeste e sudeste, quando o assunto é mão de obra especializada. Isso dificulta o mercado do “pronto-a-vestir”. E para que se possa disputar esse mercado com produtos de boa qualidade, seria necessário apoio, reforço com cursos e oficinas de treinamentos, para que depois o Estado colhesse um bom resultado. Afinal, esse mercado é tão lá fora e que pouco valorizado por aqui. Digo isso porque levei anos para formar uma equipe preparada, mas tenho dificuldade sempre quando preciso ampliar essa produtividade, o que é uma pena.

SRLM: Qual dica você dá para recém-formados que queiram ingressar no mundo da moda?
LG:
Muita coragem, trabalho e dedicação. Buscar seu sonho com muita criatividade.


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