REVISTA

Débora Falabella

 

Força, querer e dedicação

 

Com seu ar discreto e muito trabalho, a atriz Debora Falabella se supera a cada papel e mantém a carreira sólida

 

 

            Aos 38 anos e mais madura do que nunca, Debora Falabella definitivamente já firmou o seu nome na dramaturgia brasileira. Ao longo dos quase 25 anos de carreira, iniciados aos 12 no teatro amador de Belo Horizonte, sua cidade natal, a atriz coleciona grandes e emocionantes papéis, provando que a opção pela profissão não foi em vão, apesar de no início não se imaginar vivendo exclusivamente da atuação.  “Quando eu comecei a trabalhar, eu não pensava no que iria dar. Acho que a carreira de atriz e uma carreira ligada a arte é um pouco aberta. É claro que a gente quer conquistar coisas, a gente quer ter bons papéis, a gente quer se ver realizado, mas é um tipo diferente de realização. Não é algo ligado ao dinheiro e sim algo mais ligado ao trabalho artístico, ao que se vai conseguir alcançar com isso.”

          A escolha teve, de certa maneira, um pouco de influência familiar, mas não de maneira impositiva. Aconteceu naturalmente. “Eu comecei a fazer teatro na escola, porque eu gostava, mas não era uma profissão em que eu pensava não. Inclusive, na minha casa, as pessoas tinham sempre mais que uma profissão. Minha irmã e meu pai eram atores - meu pai diretor - mas também trabalhavam com publicidade. Eu fui influenciada por aí também. Cheguei a fazer um ano e meio ou dois anos de uma faculdade de publicidade, mas com o teatro acabei fazendo testes e vim para o Rio, o que me possibilitou viver do meu trabalho de atriz.”

           Os primeiros anos da carreira de Débora foram dedicados ao teatro, uma paixão que permanece. É sócia de uma companhia de teatro carioca Grupo 3 de Teatro, que está prestes a completar 12 anos de existência. “É aonde eu exercito meu trabalho de atriz e ao mesmo tempo de criadora, de produtora, então é um trabalho que eu sou muito dona junto com os meus sócios. (...)Acho que esse sempre foi meu grande objetivo. Eu sou uma atriz que começou no teatro e me realizo muito no teatro, também na televisão e no cinema, mas o teatro é o meu lugar.”

 

            Mas o maior reconhecimento sempre veio da televisão, onde viveu personagens inesquecíveis como Mel, em O Clone, a Nina, de Avenida Brasil - uma das novelas de maior sucesso dos últimos anos -, e Irene, a vingativa e controvérsia personagem de “A força do Querer”, que gerou grande repercussão e a certeza de que Falabella está no caminho certo. “Fazer a Irene, pra mim, foi uma experiência muito interessante. Primeiro que eu nunca tinha feito uma personagem assim, então isso já é uma delícia pro ator, ter contato com um personagem que nunca interpretou e seguir um caminho que nunca tinha percorrido.”

            Não à toa, a atriz está sempre envolvida com algum projeto para a TV. Desde a sua estreia em Malhação, em 1998, coleciona 22 personagens entre protagonistas e coadjuvantes, todos frutos de muito trabalho e dedicação e nenhuma preocupação real em se manter sob os holofotes. “Eu acho que não existe isso de manter a carreira em alta. Acho que quando você tem essa preocupação, já é um problema. O grande barato é você escolher os seus papéis. É claro, que às vezes vai escolher um papel que você adora, mas que não vai ser tão interessante quando estiver no ar, ou vai ser um filme que você faz e que não vai ter um público expressivo, mas que você amou fazer. Ter uma carreira gratificante pra si mesmo é escolher papéis com os quais você se identifica ou que te chamam atenção ou que, a princípio, você leia e se apaixone. A sinceridade em relação ao papel e saber dizer não para outras coisas é o que conta na profissão de um ator... ser sincero consigo mesmo e com qual caminho se quer traçar naquele momento.”

 

 

Mente aberta e dedicação

            A preparação para viver Irene e outros marcantes personagens é sempre intensa. Para Débora, fazer um personagem complexo é uma montanha russa.  “O ator está aberto para qualquer mudança, para qualquer momento e ao mesmo tempo não se fechar a um conceito sobre aquele personagem. É bem interessante, é bem intenso compor um personagem assim, principalmente quando bate de frente com o nosso caráter e é maravilhoso estar aberto para isso.”

           Por isso, a dedicação é intensa. O primeiro trabalho é com o texto, lugar no qual a atriz consegue as primeiras informações sobre o personagem. “No caso de uma novela nós não teremos todas as informações do personagem, até porque enquanto gravamos a novela ainda está sendo escrita. Os atores vão descobrindo junto com o público o caminho do personagem e isso torna a nossa vida um pouco mais difícil, porque temos que entender que ele pode ir para vários caminhos.”

           Desde Avenida Brasil, Débora trabalha não só com os preparadores da novela, diretores que encaminham os atores para o personagem, mas com uma coach particular, sua sócia no Grupo 3 de Teatro. “A Yara de Novaes fica do meu lado e me ajuda com as cenas, me guia na construção desse personagem e no caso da Nina e da Irene, a Yara tem estado junto comigo.”

     O trabalho é necessário não só pensando na atuação, mas também para ajudar a atriz a lidar com personagens que, de certa forma, conflitam valores pessoais. “No caso de um papel como o da Irene, é claro que a gente pensa nos nossos valores, mas o ator não pode julgar os personagens, porque caso contrário não estaremos abertos para interpretá-los. (...) O mais interessante é entender que você está interpretando o outro e entender como que isso também não te afeta no sentido ruim, porque pode te afetar no sentido bom, porque quando você fica diante de um personagem que é tão diferente dos seus valores, esses valores se tornam ainda mais importantes e ainda mais dignos.”

 

Por trás das câmeras

            Muito discreta, no melhor estilo mineiro, pouco se fala sobre Débora, a não ser dos seus personagens. Casada com o ator Murilo Benício há 5 anos, é mãe de Nina, fruto do relacionamento com o músico Eduardo Hypolitho. O segredo, diz Débora, é apenas o exercício de separar trabalho da vida pessoal. “A minha profissão é estar no palco, é fazer um trabalho na televisão ou no cinema, essa é a profissão de atriz pra mim, por isso, que eu acho que separo muito bem. Mas eu compreendo que o entorno é necessário. Você ter que lidar com a imprensa, principalmente, para divulgar os seus trabalhos é necessário e eu consigo expor o mínimo da minha vida pessoal, até porque pra mim não é tão confortável. O que é mais interessante como atriz é que os personagens que eu interpreto, que esses personagens fiquem conhecidos e não a pessoa que eu sou na minha vida íntima.”

            O mesmo vale para a maternidade. Débora não se sente diferente de nenhuma outra mãe e diz conciliar a vida como todas as outras mulheres que trabalham. “Temos nossa vida particular ali e a nossa vida do trabalho. Os filhos estão com a gente sempre e compreendendo nossa profissão. É dessa maneira, a maneira mais simples. Não somos diferentes por sermos atores, por sermos conhecidos. É muito simples, na verdade.”

 

 

Sempre em busca de desafios

            Junto às novelas, Débora dedica grande parte do seu tempo à sua companhia teatral. “Já são 12 anos e temos alguns espetáculos em nosso repertório. Já viajamos bastante, já ficamos em cartaz com esses espetáculos. Nessa companhia eu também sou produtora e já dirigi um espetáculo infantil, tenho muita vontade de dirigir mais. Tenho alguns projetos, mas eles são ligados ao teatro. Gosto muito de figurino, já fiz o figurino de uma peça, então eu não penso em fazer nada muito diferente da minha área, mas penso em circular em outras funções.”

            Do início da carreira até agora, Falabella interpretou papéis que considera muito bons, interessantes e instigantes, mas como artista, sempre busca algo a mais. “Acho que a gente também vai tendo outros objetivos de acordo com a nossa maturidade, enquanto pessoa e enquanto artista. Acho que a vida vai nos modificando também. Hoje eu não tenho os objetivos que tinha lá atrás e que eu ainda quero realizar. Eu acho que esses objetivos e essas vontades vão surgindo ao longo da sua vida e da sua carreira também. Estar aberto para eles, para o que vem, também uma maneira de realizar cada vez mais os seus sonhos relacionados à profissão.”

            O próximo passo na carreira é a estreia em terras paulistanas do espetáculo de sua companhia de teatro intitulado “Love, Love, Love”. “A estreia está prevista para janeiro e, por enquanto, é isso o que eu tenho pela frente.”


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