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Ao abrir a Galeria 791, Paulo Henrique Soares se propõe a fazer andarem mais longe as obras e os talentos de artistas que fazem e fizeram história aqui e no resto do mundo. 
 
Anos e anos de uma coleção tão eclética, e tão rica, e tão grande que chegou uma hora em que não havia mais onde guardar, e o inadmissível, não havia mais como mostrar. A solução? Abrir uma galeria! E foi o que fez o engenheiro e empresário Paulo Henrique Lobo, que em novembro passado abriu as portas da Galeria 791, em Belém, com mais de 600 obras colecionadas por toda uma vida e que reúnem uma variedade de artistas e técnicas de maravilhar qualquer apaixonado pelas artes plásticas.
 
A ideia de criar a galeria e, inevitavelmente, começar a praticar uma espécie de desapego de sua coleção pessoal de desenhos, gravuras, esculturas e pinturas, começou há quatro anos. "Achávamos uma pena ter uma quantidade enorme de obras sem poder compartilhar com outras pessoas que gostam de apreciar esse tipo de arte", explica Lobo. Enquanto maturava a ideia, ele começou a também variar na hora de comprar novas peças. "Se antes eu comprava com base apenas no meu gosto, desses anos para cá eu comecei a ampliar esse olhar e buscar obras que pudessem agradar o futuro público da galeria", enfatiza. 
 
 
"É claro que se tem apego por alguns trabalhos, principalmente os que estão em nossa residência, mas se propor a entrar no comércio de obras de artes exige esse desprendimento", confirma ele, que se diz movido pelo fato de que a arte no Brasil não é uma coisa fácil de levar em frente, e por uma questão cultural, já que a maioria das pessoas não tem o costume de frequentar galerias e museus. "Tem que gostar muito para levar adiante", admite.
 
E que gosto! Kaminagai, Orlando Teruz, Dina Oliveira, Juarez Machado e Luzi Braga são apenas alguns dos nomes catalogados e disponíveis para a compra %u2018na%u2019 791. "Um amigo diz que na hora em que pedirem uma peça que eu gosto muito, eu devo subir o preço! (risos) Mas a verdade é que se me pedir, pode estar até na parede da minha sala que eu mando buscar, não tem problema", avisa.
 
 
Além de promover essa circulação de obras, seja de artistas vivos ou falecidos, Paulo Henrique não destaca a possibilidade de se unir a novos artistas que estejam buscando uma forma de divulgar o trabalho. "Claro que o objetivo é uma comercialização ampla, de tendências, épocas, que passa também pelo decorativo, mas sem deixar de lado a valorização do artista local", afirma. "Que a Galeria 791 sirva para despertar um pouco mais a atenção das pessoas para com a arte", almeja o sobrinho e afilhado do já falecido artista plástico Roberto de LaRocque Soares, que se lembra até hoje de quando começou, ainda bem jovem, a colecionar obras. "Assim como ele trabalhava por amor, eu comecei a colecionar por amor", derrete-se.

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