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Clássico reinventado

Quando o escritório do arquiteto Paulo Chaves foi procurado para fazer o projeto do novo Roxy Bar, dentro do Shopping Bosque Grão Pará, a principal preocupação dos proprietários era que o projeto fosse ‘original’ com o cuidado de preservar a identidade de mais de três décadas de funcionamento de um espaço que deu certo. Além da gastronomia seguir a mesma orientação de sempre, o  ambiente teria que remeter à mesma atmosfera do Roxy Bar localizado na Av. Senador Lemos, levando em conta, inclusive, a repaginação feita no local, há cinco anos. “Como o princípio da arquitetura que venho praticando, há alguns anos, em Belém o conceito é a viga mestra para orientar os caminhos. Ou seja, definir onde e por que se chega a determinada solução, contando com uma pitada de inspiração e muita, muita transpiração. Assim nasceu o projeto, onde a proporção e o detalhe foram indispensáveis”, garante o arquiteto.

 

O espaço do novo empreendimento fica em uma das entradas principais do shopping, e é uma transição entre o interno e o externo, sem que o extenso mall desvie a atenção para quem vai ao restaurante.

Logo na entrada, um ar industrial, londrino garante a pegada rock do lugar, trazendo ainda elementos marcantes, como o pé-direito alto, ambientes diferenciados – o bar, o mezanino e salão; o uso generoso de espelhos, as luminárias pendentes em uma leitura Art Déco, e claro, a marcante e icônica imagem da Monalisa com muitos quilos a mais, garantiram um novo espaço com ares déjà vu.

Os elementos decorativos como os painéis de gabiões, que são estruturas armadas preenchidas com pedras britadas, foram usados no revestimento, assim como as divisórias de vergalhões oxidados.

O mobiliário “detonado” pode ser observado em todo o ambiente, em especial no hall de espera, trazendo um clima ‘de antigamente' em uma concepção  contemporânea. Aí esta a magia do projeto, rústico e ao mesmo tempo sofisticado, passando por uma cuidadosa iluminação, ratificando o famoso slogan do renomado restaurante: Roxy Bar, o prazer de estar lá.

O projeto é assinado ainda por Rosário Limae pelos arquitetos Tales Kamel e Carla Freire. O escritório Paulo Chaves Fernandes também participou do projeto do Shopping Bosque Grão Pará por meio da associação ao La Guarda Low Projects – um escritório americano especializado em projetos de shopping center. O conceito é de um shopping moderno, com poucos andares, abertura para o acesso exterior e acessos diferenciados, onde normalmente ficam as lojas âncoras. O mall é generoso e não retilíneo. A inspiração veio dos antigos passeios públicos ou promenades, tanto citados no texto do filósofo Walter Benjamin. Sem improvisos ou economia de área, está localizado em um terreno de grandes dimensões. Assim, o público tem um shopping bem implantado no sítio, convivendo com seu entorno, sem fachadas principais, valorizando-se o edifício como um todo e utilizando-se uma variedade de acabamentos que, muito embora sem grandes contrastes, quebram a monotonia do local.

 

Paulo Chaves

Arquiteto e urbanista formado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), pós-graduado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especializado em Comunicação Social também pela UFPA. Atualmente ocupa o cargo de secretário de Estado de Cultura do Estado, que já havia ocupado antes, entre 1995 e 2006, e reassumindo em 2011. Idealizou e implementou projetos culturais como a Lei de Incentivo à Cultura - Semear, a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP) e a Feira Pan-Amazônica do Livro. Também realizou projetos em espaços culturais como o Parque Naturalístico Mangal das Garças, a Estação das Docas e o conjunto urbanístico Feliz Lusitânia.


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