REVISTA

Beleza atemporal

Por: Lorena Filgueiras

Fotos: FolhaPress/Divulgação

 

 

No dicionário, o verbete tempo refere-se à “sucessão dos anos, dos dias, horas (...) que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro”. Na vida real, Bruna Lombardi desafia os conceitos de tempo e cronologia. Aos 67 anos, recentemente completados, parece que o tempo parou para nossa entrevistada e, paradoxalmente, melhorou o que já era bom. A beleza estonteante de Bruna, com a qual encantou o Brasil, no final da década de 70, quando estreou na Televisão. Era 77. Um ano depois, convidada para viver uma médica na TV Tupi, ela contracenaria com Carlos Alberto Ricceli e, no coração do Brasil, nascia uma paixão fulminante entre os dois protagonistas... e lá se vão mais de 40 anos de casamento, sobre o qual ela fala nesta entrevista exclusiva concedida à LiV. Neste tempo também, Bruna transitou por outras áreas, como Cinema, Literatura com a mesma tranquilidade e naturalidade com que interpretou grandes papeis – sem mencionar o cultivo da própria espiritualidade – e hoje considera-se em sua melhor época.

Bruna, a sensação que tenho é que não se passou um único dia para você desde sempre. Qual o segredo de tanta jovialidade e beleza?

Em primeiro lugar agradeço seu comentário, e acho que a gente sempre pode se melhorar em todos os aspectos, tentando se tornar um ser humano cada vez mais feliz e acredito que isso se reflete na aparência também. Se o nosso interior, nossa mente e nosso espírito estiverem sofrendo, vivendo momentos complicados, sem saber como resolver, o exterior vai mostrar isso, não tem jeito.  A gente tem muita coisa pra cuidar: o corpo, a cabeça, a emoção, os sentimentos, os valores, porque tudo se conecta.

Atriz, cineasta, escritora. Qual o grande papel da sua vida?

Pra mim é tudo uma coisa só: sou eu na busca, na minha retribuição, na minha arte, sempre movida a paixão. Faço aquilo que gosto e acredito, e adoro compartilhar tudo isso que aprendo com as pessoas. Tenho feito muitas palestras no Brasil todo e em muitas empresas e faculdades. Estive em Portugal e fiz palestras no Porto com grande receptividade. É uma troca muito bonita. Faço também as ‘“Jornadas de Conhecimento” e são imensas plateias e sempre temos um momento de Meditação e Mindfulness. Percebo cada vez mais como esses encontros presenciais são transformadores. São sempre grandes temas para que a vida seja cada vez melhor.

És uma grande ativista pela conservação da natureza. Quais mudanças de vida adotaste em família e no teu entorno?

Eu abraço várias causas para ajudar as pessoas a serem mais felizes. Desde cuidar de animais abandonados, procurar abrigos, incentivar a adoção, até plantar árvores, não jogar lixo nas ruas, córregos, rios, mares. Trabalho para que as pessoas tenham mais inclusão, mais consciência de si mesmas e do que os outros estão passando, [para que] tenham mais amor e empatia. Trabalho pelos processos de cura e busca de autoconhecimento. Trabalho por um mundo mais verde, pela preservação da natureza, pelo fim da violência contra mulheres, pelo cuidado com os animais e por uma sociedade mais equilibrada, de paz e harmonia.  Queremos mais qualidade de vida para o cotidiano das pessoas. Queremos saúde física, emocional e espiritual.  Atingimos o equilíbrio quando conseguimos equalizar todos os canais de percepção do corpo. Tudo isso resulta em mais qualidade de vida.  Nas minhas redes e na Rede Felicidade e em toda minha comunicação com a mídia, a mensagem é melhorar a vida das pessoas e do planeta. Quero que todos possamos viver mais felizes. E a resposta pra tudo é mais amor.

Mencionaste, em entrevista recente, que tua busca pelo espiritual ficou ainda mais latente depois de uma viagem pela Ásia. O que mudou em ti, Bruna? Encontraste o que tanto buscaste? Ainda continuas buscando?

Eu sempre tive essa procura de compreender valores, responder perguntas básicas que a gente se faz, como, por exemplo, quem somos? O que fazemos? Para onde vamos? E achar um propósito na vida, achar uma missão para a gente conseguir preencher esse vazio e todos os vazios. A arte é uma grande resposta para minhas buscas, mas o movimento de atuação na sociedade é uma coisa que realmente faz muito sentido para uma vida. Então eu faço isso defendendo o valor da felicidade, embora a palavra felicidade hoje pareça muito desgastada, porque foi usada demais, ela ainda é, acima de tudo, o que todos queremos e precisamos.

Todos nós continuamos nos apaixonando, amando cada vez mais (se Deus quiser) e continuamos buscando a felicidade como escopo da vida. Acho que estamos em um momento de crise de valores, mas as grandes transformações do mundo só vão acontecer através das mudanças de valores e as mudanças de valores só vão acontecer por meio de uma consciência maior e de autoconhecimento. Essa é a transformação. 

Então todo meu trabalho é voltado para as pessoas se autoconhecerem, para as pessoas compreenderem melhor quem elas são, se descobrirem, se aceitarem. Para que possam encontrar paz de espírito, porque vai mudar sua vida e o mundo.

Você está casada há 41 anos com o Carlos Alberto Riccelli. Qual o segredo de uma relação bem sucedida? Imagino que tendo o Kim quase 40 anos, vocês dois tenham rituais, momentos só de vocês...

Nada vem pronto. Agradeço a Deus a sorte que tive. Tenho uma relação linda minuto a minuto, momento a momento. É uma relação que é rica e enriquecedora. Somos três pessoas (com o Kim, o meu filho) que trocam muito. Buscamos coisas parecidas, temos códigos complementares. Isso ajuda a gente a ser muito feliz, muito unido e a realizar tanta coisa juntos. Tem o lado da sorte, que foi a gente ter se encontrado, mas também o lado do trabalho cotidiano: muita conversa, diálogo, compreensão. Todos crescemos juntos. E a felicidade não significa estar alegre e a rir o tempo todo. Isso seria absurdo! Estar feliz é ter uma sensação de serenidade e paz de espírito para poder resolver os problemas e as dificuldades, superar obstáculos. Cada vez que uma coisa ruim aparece, a gente tem que encarar e resolver, para que esse seja o aprendizado e a evolução.

Você conheceu o Riccelli enquanto fazia novela. Mas em qual momento se apaixonaram? Quando foi que começou a olhar de maneira diferente para ele?

O Ri e eu sempre tivemos muito diálogo, os mesmos interesses por tudo, o mesmo olhar e a mesma percepção sobre todas as coisas que a gente gosta. E foi uma atração absoluta, tesão total! Muita sorte o nosso encontro no coração do Brasil, no Xingu, no meio da aldeia indígena. A gente se sentiu vivendo no paraíso. E continuamos tentando construir belos momentos, belos trabalhos, a gente vive criando, inventando e amando. E essa mesma paixão, curiosidade e entusiasmo continua nos movendo. 

Quando você estreou em TV, era praticamente uma menina. Hoje, fala-se e discute-se muito questões como assédio, empoderamento. Você enfrentou algum problema de assédio na carreira?

Tive a sorte de não ter tido esse tipo de confronto, mas sou muito solidária com as mulheres, com tudo o que enfrentam e meu trabalho é ajudar no empoderamento de cada uma delas.  

Vivemos num mundo de grandes contrastes e problemas para resolver. As mulheres sempre foram o polo de transformação. São elas que buscam a união e uma nova escala de valores. 

Não podemos aceitar situações que nos façam mal, relacionamentos abusivos, nenhum tipo de violência.

As mulheres quando se unem são muito fortes. E, ao contrário do que geralmente se pensa, as mulheres são unidas. As mulheres sempre se ajudaram.  Mas existe uma grande distorção social, a ideia de competição.  Para sermos fortes juntas, não podemos competir umas com as outras. Nós mulheres unidas vamos conseguir respeito e uma nova postura no mundo.

O que os motivou a sair do Brasil há 30 anos?

A gente adora viajar, conhecer o mundo, trocar informações, descobrir novas coisas. Fomos para Los Angeles com um propósito: fui estudar roteiro e cinema. E nossa experiência foi extraordinária. De lá pra cá, fiz muitos roteiros e fizemos muitos filmes, todos premiados; criei e escrevo a série ‘A Vida Secreta dos Casais’, na HBO, que já está na segunda temporada, além de ter feito durante dez anos o programa ‘Gente de Expressão’, que agora pode ser visto no meu canal do YouTube. 

Estamos conversando no mesmo dia em que decidiste compartilhar uma foto sua com o Bowie. Qual entrevista foi a mais bacana para você? Por que? Qual entrevistado foi o mais difícil?

Tive a sorte de conseguir tantas entrevistas impossíveis e conhecer os maiores talentos e grandes personalidades, dos quais eu era fã. O David Bowie foi simpaticíssimo, brilhante com grande senso de humor, típico inglês, que mistura ironia e uma perfeita observação da vida. O que aprendi é que quanto mais a pessoa é extraordinariamente bem-sucedida e famosa, mais ela aprendeu a simplificar a vida, e isso tudo é visível nas entrevistas. São trocas de intimidade e confiança.

O que é a Rede Felicidade?

A nossa Rede Felicidade é um lugar super especial; nosso Portal de Encontro e Interatividade, onde converso com todos, respondo perguntas, e temos todos uma troca permanente. A participação, o compartilhamento e o engajamento são fantásticos e todos fazem parte das minhas redes sociais, seja no Facebook, Instagram e YouTube. É uma forma de ficar ainda mais próxima do meu público, através de toda a nossa rede, poder levar ainda mais conteúdo e emoção para poder tocar o coração das pessoas. 

Quais são seus planos para o futuro?

Estamos lançando agora o Clube Felicidade, que é a nossa mais nova iniciativa.  O Clube Felicidade é um clube de assinaturas, e você recebe todos os meses, em sua casa, uma caixa temática com um livro escolhido especialmente por mim e por um grupo de curadores, além de vários conteúdos, experiências e presentes que vão motivar, inspirar, estimular o assinante a ser mais feliz. Tudo o que faço tem como propósito despertar as pessoas para uma consciência que crie um campo de abundância, prosperidade e muito amor em suas vidas. Essa é a minha retribuição, com toda gratidão por tudo o que recebi. 


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