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Azul da cor de Nice

Seja por seu aeroporto, como a porta de entrada da Côte d’Azur, ou por seu jeito cosmopolita, Nice tem se tornado um dos destinos mais procurados por quem anseia conhecer um novo lado da França, com mais tranquilidade e sem abrir mão de conforto e sofisticação.

Por ter pertencido à Itália até 1860, ela tem os braços abertos à cultura e recebe turistas de todas as partes do mundo, principalmente no verão, por ser uma cidade litorânea, com praias de areia e de seixo e uma bela vista para o mar do sul da França. Para quem já conhece Paris ou vai pela primeira vez, vale a dica de ficar atento: uma passagem para Nice, com escala na capital francesa, pode sair até pelo mesmo preço do bilhete direto para a Cidade Luz. Mesmo para quem só tem um dia de passagem pela charmosa cidade, há de viver intensamente Nice e se apaixonar eternamente pela cidade.

Depois de escolher o sapato mais confortável da mala, é hora de encarar uma agradável caminhada pela Promenade des Anglais, a belíssima orla da cidade banhada pelo azul do mar Mediterrâneo. Ponto escolhido por skatistas e ciclistas para um bom passeio com a brisa oceânica, é lá que o conhecido carnaval da cidade ocorre no mês de fevereiro, além de ser um dos melhores locais para fotos que garantem o #tbt do ano inteiro, com destaque ao Hotel Negresco, que está entre os mais belos e conceituados da região da Riviera Francesa. 

Os sete quilômetros de extensão da Promenade des Aglais dão uma boa oportunidade para conferir a bela vista da baía formada no local, ponto de ancoragem de várias embarcações, além das praias de seixo de Nice, com áreas de banho públicas garantindo uma bela tarde de calor e sol durante o verão, sempre tendo cuidado com a correnteza da região, no caso de banhos com crianças. Outro ponto importante é a possível necessidade de sapatilhas para maior conforto dos pés acostumados à areia. Muitos hotéis e restaurantes contam com áreas privadas na praia e disponibilizam gostosas espreguiçadeiras para se perder nas horas sob o sol do sul francês.

Uma vista panorâmica de tirar o fôlego da chamada Baía dos Anjos pode ser vista do alto da Colline du Châteu, com entrada ao final da orla por uma escada (para os bons de fôlego), mas também com acessibilidade garantida por um elevador gratuito ao lado do Hôtel Suisse Nice. O local tem esse nome por ser antigo endereço de um castelo que ainda guarda ruínas, após ser demolido por ordem do rei Luis XIV. As memórias podem ser visitadas no Parque do Castelo, uma boa opção para as crianças se divertirem enquanto a família curte um dos cartões postais mais bonitos da França. O local marca o alto de Vieille Ville, a parte histórica da cidade, que pode ser um choque aos olhos acostumados à modernidade da cidade até aqui e essa diferença fica clara do alto da Colline du Châteu. Com um mundo particular, que vai de restaurantes de família a filiais de gigantes do fast food, esse ponto da cidade surpreende a cada nova rua, com livrarias, hospedagens mais tradicionais e uma grande variedade de lojas que dão um show de preservação patrimonial e histórica. Por ser uma área muito procurada, também é comum de ver estabelecimentos abertos até altas horas da madrugada (o sonho de quem acorda no meio da noite desejando sorvetes ou crepes típicos do país europeu).

Vieille Ville é um espetáculo a parte e pra quem pode se dar um tempinho a mais na cidade: um dia inteiro pode ser facilmente reservado ao local, sendo a Rue du Pont Vieux e a Rue de la Préfecture pontos imperdíveis, com a possibilidade de conhecer o Palais Royal, construção do século XVII que serviu como casa de governadores e príncipes durante suas visitas à Nice. Os amantes de Arquitetura verão seus sonhos realizados ao contemplar lojas com arcos ogivais em suas fachadas, todos devidamente restaurados, mas dando um toque medieval ao passeio.

Não é preciso ir muito longe para degustar a rica culinária de Nice, além de seus quitutes de rua. É apenas um crime não experimentar uma salada Niçoise original, com feijão verde, azeitonas calletier, ovo cozido, anchovas e tomate. Os amantes de comidas mais práticas, porém ainda saborosas, têm um prato cheio com o Socca, um tipo de sanduíche com massa de panqueca à base de flor de grão de bico. E qual seria o sentido de conhecer a França e não experimentar a fina culinária que enraíza os grandes restaurantes do mundo? Pensando nisso, é quase que obrigação se sentar à mesa de um dos milhares de bistrôs e saborear o famoso Ratatouille, ensopado de legumes com berinjela, pimentão, tomate e courgettes, berinjela, pimentão e tomate.

No coração da cidade, o Marché aux Fleurs concentra o melhor dos dois universos que Nice pode oferecer em uma feira de rua com início às 8h e que enche a Place Charles Félix de cores, artesanatos, flores e arte. Os sabores e aromas do local também podem ser desbravados com barracas de chá artesanais e sabonetes que compõe uma verdadeira obra de arte ao ar livre. Os amantes da gastronomia não podem esquecer de conhecer a loja L’Olivier, no número 7 da rua Saint Françoise de Paule, por oferecer uma variedade invejável de produtos gourmet, como pérolas de vinagres exóticos que explodem na boca, de sabores como manga e framboesa, até os mais tradicionais, como o balsâmico. Impossível não degustar e querer levar apenas um para casa.

E falando em obras de arte, uma coisa que não se pode negar é que o povo europeu tem orgulho de sua história e faz questão de preservá-la para futuras gerações – nada mais justo, portanto, do que conhecer e aprender nos museus de Nice, programa que garante tranquilamente mais uma semana de estadia no local.

Quem sai de Belém pode se sentir mais próximo da Belle Époque ao visitar o museu Massena, que originalmente era uma vila em plena Promenade des Anglais, doada aos moradores pelo duque de Rivoli, cuja única condição foi mantê-la aberta ao público que quisesse conhecer a história local. Com suas mansões, é possível ver itens inestimáveis para a França, como a máscara mortuária do próprio Napoleão.

Uma ode ao preciosismo é o museu de Chagall, projetado e pensado minimamente pelo artista que planejou cada espaço já pensando na obra exposta, tornando o local um espetáculo como um todo. 

 

MENÇÕES HONROSAS:

 

Catedral de Nice: imponente e deslumbrante, o monumento surpreende com seu interior construído em design barroco, aglomerando um total de dez capelas com pinturas e esculturas.

 

Festival de Jazz de Nice: considerado o evento mais importante do gênero musical, ele reúne anualmente os maiores nomes do jazz internacional ao final de junho e apresenta os novos expoentes da música que conquistou o mundo.

 

 

Um pé em Cannes e outro em Mônaco: Por estar em plena Côte D’Azur e com várias opções de transporte de qualidade e acessíveis, é impensável não esticar a viagem por alguns dias para conhecer a luxuosa cidade de Mônaco e a histórica Cannes, uma cidade completando a outra em cultura, diversidade e lazer.


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