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REVISTA

Atlas

Ele me deixou um presente, junto às pedras do vale do Sol. Uma caixa de ouro e rubis, pequena, protegida por uma grossa camada de madeira, feita de Amendoeiras Cristais. Onde estavam guardados todos meus erros.  

O Centauro estava no vale, guardando o antigo Dolmen. Ele fitou meus olhos, com a rusticidade e bondade natural de sua espécie. Sua voz macia e perfumada como avelãs recém-torradas, cantava para mim.

“Bem vindo, filho de Adão,
Responsável pela concepção,
No fundo do Dolmen, o grande Leão,
Vos espera para que complete a sua missão”

Eu caminhei em direção à mesa de madeira, na sala da árvore. As paredes traziam desenhos feitos pelos sátiros que contavam sobre a minha jornada sobre a Luz. E lá no fundo, a mesa estava posta. E o grande Leão, solene, sorria para mim.

- Bem-vindo, meu filho! Sente-se, a mesa está posta para você. Uvas, pêssegos, água fresca e o pão sagrado. Você veio de longe, mas seu destino está além. Jamais me abandone. Jamais me abandonará.

- Meu Pai, vindo do meu próprio coração, eu estou pronto para carregar seu mundo. Estou pronto para transformar-me em Atlas. Estou pronto para tal prazerosa eterna responsabilidade, de carregar seu mundo e o meu mundo em minhas costas. Eu estou pronto para lutar, arrancar o coração daqueles que desejarem o seu fim.

- Meu filho, você carregará meu mundo.

- Eu carregarei seu mundo, suas dores e minhas feridas. Eu me transformarei em um Titã, eu serei seu Atlas.


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