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Além da reciclagem

Mutirão no rio Ariri coletou material que vai ser transformado em novos produtos

Do lixo para a prateleira, e de volta para o consumidor, mas com outro significado. Materiais e objetos descartados, considerados inutilizáveis para a grande maioria, ganham uma nova chance no projeto “Reconstruções”, do designer Maécio Monteiro. No último domingo (26), mais uma etapa do projeto foi iniciada, com uma expedição de limpeza pelo rio Ariri.

Nas margens e na extensão de suas águas, foi encontrada a matéria-prima para ideias inovadoras que serão postas em prática durante a oficina “Devoluções”, que acontece até 1º de julho. Por meio de um método criativo e sustentável, o “Reconstruções” propõe uma nova relação de consumo, pautada na reinvenção dos produtos.

De onde menos se espera, pode surgir uma novidade. Aços contorcidos, tecidos velhos, plástico e outras tantas sobras de produtos podem adquirir outro significado se aplicadas a um novo conceito.

Este é o fio condutor do trabalho, que foi contemplado pelo edital Micro-Projetos Amazônia Legal, do Ministério da Cultura (Minc), em 2010. Em cada etapa do projeto é sugerida uma nova fonte de matéria-prima, adquirida a partir de uma vivência. Nesta oficina, que acontece no Casarão Cultural Floresta Sonora, o material transformado vem da água.

Inspiração das águas

Numa oficina em uma ilha próxima à capital paraense, uma situação inquietou Maécio. Em uma curvatura da ilha, uma grande quantidade de lixo se amontoava, dando um ar nauseante ao cenário. “Ao observar aquilo percebi que o pior de tudo estava no fato de que o lixo acumulado ali não era produzido por aquela comunidade, vinha da cidade grande”, ressalta. Foi assim que surgiu a proposta da oficina “Devoluções”, que, como o próprio nome sugere, pretende devolver a cidade àquilo que ela descartou.

A ideia ganhou mais corpo quando o designer conheceu o trabalho feito pelo Marenteza, grupo de canoagem que trabalha com turismo de aventura. Eles haviam participado do Clean Up Day, dia mundial pela limpeza dos rios, e já organizavam outras atividades no mesmo sentido. “Maécio nos convidou para a ação de domingo e a proposta veio muito a calhar com nosso objetivo: fazer nossa parte pela preservação dos rios”, comenta Igor Vianna, sócio do Marenteza (marenteza@marenteza.com.br).

Reaproveitamento

Enquanto um grupo percorreu a margem do rio Ariri, outro, encabeçado pelo Marenteza, foi pela água. Tudo que encontraram pelo caminho foi coletado e levado para uma base. Lá, o material foi analisado. A oficina se apropriou do que pode ser reutilizado no projeto e o restante foi encaminhado para um grupo de coleta seletiva. No total, participaram da ação em torno de 50 pessoas.

Igor e Maécio: união de forças para manter limpos os rios da Amazônia

Durante esta semana, na oficina, os participantes vão trabalhar com os materiais coletados tendo como base a metodologia Reuse, criada pelo designer durante curso de especialização na Universidade do Estado do Pará (Uepa) e usada pelo projeto “Reconstruções”.

“Esta metodologia propõe que os produtos adquiram novos graus de afetividade, de acordo com o novo conceito aplicado ao objeto. Se uma calça velha passa a revestir um pufe, por exemplo, ela volta a ter valor”, explica. A oficina “Devoluções” tem apoio do Casarão Cultural Floresta Sonora e do Movimento Curupira Antenado.  Saiba mais sobre o projeto 'Reconstruções' em http://reconstrucoes.com.

Projeto Reconstruções from Revista Leal Moreira on Vimeo.


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