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A vida é (um) doce!

A vida é (um) doce!

Por Lorena Filgueiras

Fotos: Tadeu Brunelli/divulgação

 

A chef pâtissier Carole Crema encontrou nos doces motivos de sobra para ver e servir o melhor da vida... de bandeja. São 25 anos de dedicação aos doces à moda antiga e reconhecimento que a elegeu três vezes, pela Revista ‘Prazeres da Mesa’, uma das publicações mais respeitadas do país, a melhor chef confeiteira do país.

 

O primeiro contato com Carole Crema é uma agradável surpresa. Ela responde ao pedido de entrevistas, enviado por meio de um aplicativo de mensagens instantâneas, com uma doçura e generosidade impressionantes e demonstra aquilo que os clichês incansavelmente tentam explicar: é preciso ter muita alma para estar em uma cozinha. É o conselho que ela compartilha, aliás, com os confeiteiros que participam do “Que seja doce”, programa que vai ao ar pelo canal fechado GNT e do qual ela participa como jurada. “Aparência [do doce] é importante, mas o sabor... ah, não há comparação!”.

Até encontrar seu caminho (ou ele chamá-la), Carole enveredou pelo Jornalismo,  Ciências Sociais e Hotelaria. “Passar por essas outras áreas me fez entender que não sou uma pessoa de ficar quieta, sentada... o faniquito me fez mudar pra faculdade de hotelaria e lá descobri a cozinha. Depois de formada fui estudar em Londres. Gastronomia aqui no brasil ainda não existia como profissão... arrisquei, me apaixonei pra sempre!”. A parada seguinte seria Milão, onde se especializou. E por que doces? “Os doces entram primeiro por eu ser super formiga desde que nasci... Depois, na época que resolvi empreender (2002), aqui no brasil não haviam muitas confeitarias com chef... restaurante já pipocavam alguns tantos, mas nos doces, além do Fabrice Lenud [chocolatier, considerado um dos mestres da confeitaria francesa] e Flavio Federico [chef pâtissier brasileiro], [não havia] quase mais ninguém... Fui pelo mercado e pela possibilidade de ter doces diariamente”, ela confessa entre risos.

 

Carole foi a grande responsável pela popularização dos cupcakes no Brasil e pela “invenção” [se assim pode ser dito] do brigadeiro de colher. Modesta, ela conta que apenas “pegou um hábito do brasileiro [o de comer brigadeiro molinho ainda na panela] e o colocou à venda”. “Nunca alguém tinha pensado nisso.... e virou mania!”, diverte-se. O empreendedorismo e o amor aos doces conquistaram o reconhecimento do público e da mídia especializada, que a elegeu – três vezes – a melhor chef pâtissier do Brasil. “Muito orgulho e felicidade de ver meu esforço e dedicação serem reconhecidos... fazer doce é abraçar, dar carinho, cuidar das pessoas.... doce é indulgencia e amor, não é?”, filosofa.

 

Casa de doceira, colher de pau

Crema não esconde de ninguém sua predileção e paixão por doces. “Adoro beliscar docinho. Mas nunca na sobremesa! Sempre em momentos estranhos. De manhã, em jejum... de madrugada.... no meio da tarde!”.

Quando pergunto qual a receita de família (considerando que nossa entrevistada nasceu no seio de uma família de mulheres exímias cozinheiras) mais tradicional e que ela seguia à risca, a resposta surpreende novamente. “Muito convívio, muita conversa e diversão!!! Não deixo de sentar à mesa com meus filhos para as refeições (claro que não conseguimos todos os dias, mas nos esforçamos para isso). Neste momento conversamos, ficamos sem celular e são momentos especiais demais!”. Equilíbrio, aliás, é o que não pode faltar à vida, nem aos doces. Até porque, como ela mesma faz questão de enfatizar, “sal não pode faltar a um doce... pra realçar. E não pode haver culpa também!”

Um bate-bola rapidinho com a Carole

Qual seu doce preferido? E o mais desafiador?

Preferido é o sfogliatelle italiano... massa super crocante com recheio leve de ricota com frutas cristalizadas (sim, eu amo....) o preferido corriqueiro é brigadeiro quente !!!

Desafiador pra fazer são macarons. Muito cheios de detalhes, acho que sou agitada demais pra eles.

 

Acompanhei, recentemente, um movimento entre chefs pâtissiers (no instagram) pela valorização do profissional confeiteiro (como se fosse simples executar uma sobremesa e por mais respeito à profissão). Quais os maiores desafios para quem trabalha com doces?

O preconceito com o açúcar... todo mundo come, criança, velho, magro, gordo, homem e mulher !!! mas as pessoas ainda tem receio de falar que comem, tem cobrança, culpa demais envolvida.

 

Como jurada de um programa de doces, o que mais pesa para você: sabor ou aparência?

Com certeza sabor... sempre !!!

 

Carole Crema compartilha com os leitores da Revista Leal Moreira uma de suas receitas de maior sucesso, o “Bolo Chiffon de Laranja”.

CHIFFON DE LARANJA

Rendimento: 1 unidade

 

Ingredientes:

225g de farinha de trigo

340g de açúcar

1 colher de sopa de fermento em pó

120ml de óleo

6 ovos

60ml de leite

120ml de suco de laranja pera

Raspas de 1 laranja pera

Essência de baunilha

 

Preparo:

Peneire junto a farinha, o fermento e o açúcar e reserve.

Misture os ingredientes líquidos (incluindo gemas e raspas de laranja) e adicione-os aos poucos a mistura de secos até formar uma massa homogênea.

Bata as claras em neve e adicione na massa, delicadamente.

Leve para assar em forno pré-aquecido a 160oC por cerca de 1 hora, em forma não untada, até que esteja firme e levemente dourado.

Vire-o de cabeça para baixo e deixe-o descansar assim até que a massa esfrie completamente.

 

CALDA DE AÇÚCAR PARA COBRIR

 

Ingredientes:

500g de glaçúcar

60g de leite

Gotas de suco de limão

 

Preparo:

 

Aqueça o leite e misture ao açúcar e limão. Se preciso, ajuste a consistência com mais água.

Misture bem para o açúcar dissolver e quando estiver bem liso, cubra o bolo ainda morno.


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